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22/08/2012

Paul McCartney atinge seu ápice lírico

Há muito, muito tempo atrás, vi no jornal uma matéria que falava sobre um projeto de inteligência artificial inspirado no John Lennon. Segundo a notícia, nesse projeto/site seriam inseridos dados à respeito da vida do músico e, com base nessas informações, seria possível conversar virtualmente com Lennon, obtendo respostas que esse ícone do rock possivelmente utilizaria. Digo "possivelmente", pois como sabemos, uma das qualidade de John era ser altamente imprevisível. Quando acessei o tal site pela primeira vez e conversei com o Lennon-Robô perguntei qual era seu som preferido dos Beatles. A resposta, curiosamente, foi essa canção do Paul McCartney, presente no disco "Revolver", de 1966. Segue a letra:




Here, There, And Everywhere
(Lennon/McCartney)

To lead a better life
I need my love to be here

Here, making each day of the year
Changing my life with a wave of her hand
Nobody can deny that there's something there

There, running my hands through her hair
Both of us thinking how good it can be
Someone is speaking, but she doesn't know he's there

I want her everywhere
And if she's beside me I know I need never care
But to love her is to need her

Everywhere, knowing that love is to share
Each one believing that love never dies
Watching her eyes and hoping I'm always there

I want her everywhere
And if she's beside me I know I need never care
But to love her is to need her

I will be there, and everywhere
Here, there and everywhere

Vamos à andança...

Mesmo com toda a incoerência e surpreendência característicos da personalidade de John Lennon, sua versão virtual não poderia ter dado uma resposta mais acertiva. Um dos motivos: essa é uma canção de Paul McCartney. Lennon não era tanto de se gabar de seus trabalhos e frequentemente os qualificava como "porcarias" e "esquecíveis" - como é o absurdo caso de Run For Your Life, por exemplo. Uma das poucas canções que John Lennon escreveu e realmente considerou uma obra-prima foi a maravilhosa In My Life (não era para menos, né? Se ele falasse mal dessa, eu mesmo construiria uma máquina do tempo só pra dar-lhe um tapa na cabeça). Traçando um paralelo, podemos considerar Here, There and Everywhere a In My Life de Paul McCartney. Tal comparação não visa contestar o trabalho do baixista dos Beatles, muito menos diminui-lo. Essa metáfora é feita com o intuito de exponenciar ao infinito a obra de McCartney. Se In My Life é uma poesia excepcional, uma melodia fantástica e um instrumental formidável, assim também é Here, There and Everywhere. Paul McCartney parece também ter tido um vislumbre do Paraíso e sentido o poder do Grande Amor ao compôr qual bela canção. Ela também fala de amor de uma forma única, mas diferente da música de Lennon que fazia um comparativo entre o amor e as coisas importantes do passado, com Paul a coisa é mais simples e direta - tanto melhor, é claro. Aqui o tempo é presente. Não há lembranças, nem projeções. O que há é uma impecável e primorosa poesia sobre o amor no momento em que ele acontece, na companhia daquela pessoa. Aquele maravilhoso sentimento de simplesmente amar, independente de qualquer outra coisa. Após uma introdução suave, onde Paul diz: "Pra levar uma vida melhor, preciso do meu amor aqui", percebemos uma delicada guitarra de George Harrison dedilhando suas notas com carinho e amor. Ao mesmo tempo backing vocals excelentes do guitarrista e de Lennon, permeiam os versos com maestria, mas sem roubar a cena do vocal agudo e sussurrante de Paul. Este por sua vez declama num ritmo maravilhoso versos tocantes, representando seu pensamento em sua amada de forma onipresente. "Aqui, fazendo cada dia do ano, mudando minha vida com um gesto de sua mão. Ninguém pode negar que há algo ali. Ali, correndo minhas mãos pelos cabelos dela, nós dois sabemos o quão bom pode ser. Alguém fala, mas ela não percebe que ele está lá". Aqui uma singela caída realça a guitarrinha de Harrison, onde Paul entra no refrão, belíssimo: "Eu quero ela em todo lugar. E se ela está comigo eu sei que nunca preciso me preocupar, mas amá-la é precisar dela em todo lugar". Aqui, a palavra "everywhere" serve pra emendar o refrão na próxima estrofe que canta: "Em todo lugar, sabendo que o amor é para compartilhar, cada um acreditando que ele nunca morrerá. Olhando seus olhos e esperando que eu esteja sempre lá". A brincadeira com as palavras do título salpicam toda a poesia. Uma obra-prima, sem dúvida, que só o amor poderia inspirar. Se Paul McCartney amou alguém um dia, com certeza colocou boa parte deste sentimento nessa música ;)

Nunca ouviu?

Aqui, ali embaixo e depois de ouvir estará em todo lugar. Escute:

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