Mais um livro do Andarilho

O pecado é irmão de um homem bom

03/07/2012

Uma viagem sonora pela alma do ser humano

Às vezes me pego em débito com algumas bandas aqui nesse blog. A última que me pegou de assalto foi Grand Funk Railroad, um grupo que conheço há alguns anos e que já me fez viajar milhares de vezes, mas que, assim como na vida real, acabaram injustiçados. Tentarei corrigir esse problema hoje, com uma canção fenomenal que abre o disco "Closer to Home" de 1970. Segue a letra:




Sin's A Good Man's Brother
(Farner)

Ain't seen a night,
Things work out right,
Go by.

Things on my mind,
And I just don't have the time,
And it don't seem right.

Ain't seen a day,
That I don't hear people say,
They know they're gonna' die.

This may seem a little bit crazy,
But I don't think you
Should be so lazy.

If you think you've heard this before,
Well, stick around
I'm gonna' tell you more.

One just like the other,
Sin's a good man's brother,
But is that right?

You tell me that I don't,
Then I say I won't,
But then I might.

You said this is the way it's supposed to be,
But it just don't seem right to me,
And that's outta' sight.

Some folks need an education,
Don't give up, or We'll loose the nation.

You say we need a revolution?
It seems to be the only solution.

Vamos à andança...

Grand Funk Railroad foi uma banda injustiçada com toda certeza. Faça o teste, pergunte a 10 amigos se eles conhecem esse grupo. Provavelmente mais da metade nunca terá ouvido falar. O restante talvez conheça We're an American Band, o maior hit de sucesso da banda - e uma excelente canção diga-se de passagem. E o melhor: os caras têm dezenas de canções daí pra cima. Vale a pena conhecer e estudar esse grupo que dividiu uma das décadas mais produtivas da música junto com seus conterrâneos Creedence, Lynyrd Skynyrd e Aerosmith. E falando em nomes como esses, o que primeiramente nos vem à cabeça, além da clássica loucura setentista? Riffs ótimos. Sin's a Good Man's Brother é um exemplo do que há de melhor no Grand Funk. A canção abre com uma viola suave para enganar os mais desatentos. Pois logo surge no volume máximo uma guitarra crua e violenta comandada pelo também vocalista e compositor Mark Farner. Essa guitarra traz um sobe e desce rápido fenomenal e destila o riff ótimo por toda a canção. Assim como considero o Creedence, Grand Funk tem um pé no rock progressivo, o que dá o tempero especial pro som roots do grupo. Ouvir essa canção é como escutá-los ao vivo num palco de madeira vagabundo, fazendo as caixas de som explodirem para alimentar uma multidão frenética. Se Forner manda bem na guitarra, ele faz melhor ainda nos vocais com sua voz aguda e poderosa. O cantor destila os versos rápidos com uma acelerada final destruidora. Em certos pontos ele beira aquela famosa esgoelada arrepiante. Seu riff apesar de maravilhoso, deve muito ao baixo Mel Schacher que o engorda notavelmente. A bateria de Don Brewer também acompanha a obra com ótimas pancadas fortes. Outro ponto alto da música é a letra que mistura uma discussão com um desabafo do mundo. Em certa altura ele diz: "Um igualzinho o outro: o pecado é irmão de um homem bom, mas isso é certo?" Sua dúvida é a famosa questão sobre a dualidade do homem. Enquanto seres humanos estamos passivos à erros e acertos. Dotados de livre-arbítrio, podemos escolher em cada ação, fazer o bem ou o mal. Ou como diria Santo Agostinho: "o mal existe quando não há bem", então optamos simplesmente por fazer o bem ou não fazer. Para alguns, a última opção é considerado o pecado, a origem do mal. É certo que o pecado seja um parente tão próximo? Acredito que sim. Assim como acredito que é possível superá-lo e é daí que vem a maior graça de viver. Como? A resposta está no último verso: "Você diz que precisamos de uma revolução? Isso parece ser a única solução". A lição do Grand Funk está aí: revolte-se contra o mal e aja para o bem ;)

Nunca ouviu?

Será um pecado deixar de dar esse play. Escute:

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