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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Blues da viagem ao lado do rio

05/04/2012

De geração em geração o blues atinge todos

Há um disco que, apesar da minha ilimitada ignorância, intitulo como "O Melhor Disco de Blues Que Existe". Chama-se "Riding with the King", resultado de uma parceria entre Eric Clapton e BB King e contém pérolas como por exemplo a belíssima Help the Poor. Entretanto estou chegando a conclusão que o "Segundo Melhor Disco de Blues Que Existe" é outro que envolve Eric Clapton - só que dessa vez numa parceria com ninguém menos que a lenda Robert Johnson. É de 2004 e essa faz parte da obra. Segue a letra:




Travelling Riverside Blues
(Johnson)

If your man gets personal,
Want you to have your fun.
If your man gets personal,
Want you to have your fun.
Well, come on back to Friar's Point, mama,
Barrelhouse all night long.

I got womens in Vicksburg,
Clean on into Tennessee.
I got womens in Vicksburg,
Clean on into Tennessee.
But my Friar's Point rider, now,
Hops all over me.

I ain't gonna state no color but
Her front teeth is crowned with gold.
I ain't gonna state no color but
Her front teeth is crowned with gold.
She got a mortgage on my body, Lord,
A lien on my soul.

Well, I'm going down to Rosedale,
Rider by my side.
Lord, I'm going down to Rosedale,
Rider by my side.
Well, we can still barrelhouse, babe,
On the riverside.

You can squeeze my lemon till
Juice run down my leg.
You can squeeze my lemon till
Juice run down my leg.
That's what I'm talking about!
But I'll be going back to Friar's Point, mama,
Rocking to my head.

Vamos à andança...

Ok, não é exatamente uma parceria que trazemos aqui, primeiramente por Robert Johnson ter morrido antes mesmo que Clapton nascesse. Trata-se, na verdade, de um disco de regravações do "Pai do Blues" feito pelo "Mestre Supremo da Guitarra". Estamos falando de dois gigantes. Aliás gigantes perto desses caras não passam da altura da canela. Robert Johnson é uma das maiores lendas da música e influenciou direta ou indiretamente praticamente todos os músicos e bandas que vieram depois. Entretanto seria pedir demais que ele fosse um guitarrista e cantor excepcional. Seu mérito está no pioneirismo, em fazer música com a alma (que alguns até acreditam ter sido vendida). Eis que gerações depois, um dos maiores fãs de Johnson resolve fazer uma homenagem - e por quê não realizar um sonho pessoal - de dar uma nova cara para as músicas do lendário bluseiro. O resultado é incrível. Soma-se às criações de Robert nada menos que uma produção impecável, além da voz ótima de Clapton e, como não poderia deixar de ser, sua guitarra única. Em Travelling Riverside Blues ainda ganhamos de presente uma gaita igualmente bem tocada por Jerry Portnoy. Aqui é ela quem comanda, com um riff viajante soprado direto pras nossas mentes. Acompanhando o balanço poderoso, Clapton começa a descrever o Blues da Viagem ao Lado do Rio com um ritmo delicioso. Eric ainda dá precisas aceleradas nos versos mais compridos que soam ainda mais emocionantes. A canção é revigorante, combina com cerveja gelada e te faz viajar pra longe - para a época das lendas do blues, para plantações de algodão, rios ligeiros do sul do Estados Unidos e encruzilhadas nas estradas. Se a versão de Robert Johnson era uma obra icônica, Clapton simplesmente a transforma numa obra-prima poderosa. Experimente ouvi-lo dizendo com todo fôlego: "But I'll be going back to Friar's Point, mama... Rocking to my head" e me diga estou certo ou você concorda comigo. É certo. Assim como o blues de Johnson alcançou Clapton do outro lado do Atlântico e o fez viajar, com certeza vai te alcançar também ;)

Nunca ouviu?

Viaje ao lado do rio também. Escute:

Um comentário:

Renato Perazza disse...

Blues é o que há!!!

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