Mais um livro do Andarilho

Mayday

14/03/2012

Mais uma obra-prima do Dispatch

Quando que viajei sobre a canção Water Stop do Dispatch, por um instante senti que falei quase tudo que eu poderia sobre essa banda única. Entretanto, apenas alguns dias depois do texto, eu percebi que ainda havia muito a ser dito. Pois eu ainda não havia escrito nada sobre Mayday. Chegou a hora. A canção é do mesmo disco que a anterior, "Silent Stepless" de 1996. Segue a letra:




Mayday
(Heimbold)

I saw you yesterday
Your eyes were the color of some kind of grey
I hear what you say
Don't let me go, I've got all these people down below,

They rush to talk, they rush to say "aye aye, man over board",
mayday mayday mayday
mayday mayday mayday
troubles are brought back by you
funny how we, we go down, we go anywhere but to the ground
troulbles are brought back by you
funny how we, we go down, we go anywhere but to the ground.
yeah yeah yeah yeah

So I hear that you're doing fine
You've flown all the planes again, on your mind
I can't understand, but I don't need to know
I'll speak to you through this radio

They rush to talk, they rush to say "aye aye, man over board",
mayday mayday mayday
mayday mayday mayday
troubles are brought back by you
funny how we, we go down, we go anywhere but to the ground
troulbles are brought back by you
funny how we, we go down, we go anywhere but to the ground.
yeah yeah yeah yeah

There's a man and he's overboard

Vamos à andança...

O disco a que pertencem não é a única semelhança entre a obra-prima Water Stop e essa Mayday. Outra semelhança, é claro, é que essa é também uma obra-prima. Mas isso já era de se esperar, em se tratando de Dispatch. A outra semelhança é a cabeça por trás da poesia: Pete Heimbold. O mestre, também vocalista da canção, mais uma vez vai longe numa letra densa, subjetiva, pesada. O título da canção já entrega um pouco. Mayday é a palavra de guerra usada no meio marítimo e aeronáutico para pedidos de ajuda. O grito, usado sempre em situações de emergência, mostra que estamos falando de morte, de perigo. A bateria inicial da canção é outra dica. Comandada por Brad Corrigan, as batidas rápidas lembram muito as marchas de guerra. Quando já estamos preparando os capacetes pra essa batalha, ela simplesmente não vem. Heimbold começa a cantar suavemente. Ele diz, misterioso, em sua voz sensacional: "Eu te vi ontem, seus olhos estavam numa cor acinzentada. Eu ouvi o que você disse: 'não me deixe ir, eu tenho todas essas pessoas lá embaixo'". Nisso, uma primorosa virada nos violões, igualmente tranquilos, porém apreensivos conduz ao refrão, ainda lento: "Eles correm para dizer. Eles correm para gritar: "Hey, homem ao mar! Mayday, mayday, mayday!" Enquanto recita o "Mayday", Pete passa a ser acompanhado pelos amigos Corrigan e Chad Urmstom. Os gritos de Mayday vão ganhando força e a emoção, antes fundamentada na suavidade, agora vira força e desespero. Com a potência máxima ligada, os três gritam em coro perfeito: "Problemas são trazidos de volta por vocês. Engraçado como nós vamos pra baixo, vamos pra qualquer lugar desde que seja pra baixo". A agressividade afinadíssima nas vozes do grupo servem como protesto ao que a canção calca desde o começo: a guerra. Mayday, socorro, há gente morrendo. Todos sabem o quão uma guerra é ruim, mas então por que ainda existem nos dias 'civilizados' de hoje? Já dizia o Merlin de T.H. White: "A querras são perversas. São tão terríveis que não deviam ser permitidas". Ainda assim, por que são permitidas? É o mesmo que questiona Jack Johnson em Crying Shame ou os Rolling Stones em Gimme Shelter, além do próprio Dispatch na maravilhosa música The General. Enquanto fica a questão e protesto no ar, um sussurro permanece imortal: "Há um homem ao mar". Você iria salvá-lo? ;)

Nunca ouviu?

Mayday! Chegou a hora da salvação:

2 comentários:

Renato disse...

Sensacional, saudades de ouvir essa banda.

Como já diriam os sábios, numa guerra só há perdedores. (não sei quem disse essa frase)

Andarilho disse...

Sábia frase mestre.

Essa música é sensacional fala ai. Cada vez que escuto mais o Dispatch percebo mais e mais obras-primas como essa.

Valeu pelo comentário! Abração!!

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