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[LADO AB] Mercedes-Benz

19/02/2012

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Desde que foi inaugurada a seção Lado AB aqui no blog o intuito foi trazer à tona regravações tão sensacionais quanto suas canções originais. Caso a cover saia melhor do que a precursora, tanto melhor. É o caso da canção de hoje, um marco da carreira de ninguém menos que a Rainha Janis Joplin, interpretada pela banda brasileira Irmandade do Blues. Ao ler, você pode se perguntar: "O quê?! Um cover de Janis melhor do que a original?". Pois é... É ouvir pra crer! Segue a letra:




Mercedes Benz
(Joplin/McClure/Neuwirth)

I'd like to do a song of a great social and poetical import
It goes like this

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?

Oh Lord, won't you buy me a color TV?
'Dialing for Dollars' is trying to find me
I wait for delivery each day until three
So Lord, won't you buy me a color TV?

Oh Lord, won't you buy me a night on the town?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down
Prove that you love me and buy the next round
Oh Lord, won't you buy me a night on the town?

Everybody
Oh Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends
Worked hard all my lifetime, no help from my friends
So Lord, won't you buy me a Mercedes-Benz?

That's it!

Vamos à andança...

Para falar a verdade, nunca fui grande fã de Mercedes-Benz. Apesar de ser um clássico máximo da grandiosa Janis Joplin, acho essa uma das suas menos empolgantes canções. Não tem a mesma emoção de Maybe, nem um décimo da energia de As Good As You've Been To This World, para citar apenas duas. A obra vale, como todas peças de Joplin, por sua voz - e mais especialmente aqui por não ter instrumento algum em sua composição. Ironicamente talvez seja esse um ponto negativo da música: um desperdício de mais uma bela oportunidade para a Fool Tilt Boogie Band fazer uma instrumentação avassaladora. E parece que é justamente para vingar a ausência da maravilhosa banda de Janis que a Irmandade do Blues criou sua própria versão de Mercedes-Benz, a qual prioriza justamente o talento de cada integrante desse grupo sensacional. Abandonando o ritmo lento e dramático da Rainha, os Irmãos resolveram acelerar a canção, criando um balanço vigoroso e funkeado. A guitarra de Edu Gomes não para um segundo de mandar os riffs agressivos e inspiradores, enquanto Fernando Lóia acompanha na bateria com pedradas igualmente densas e Silvio Alemão debulha seu baixo fazendo as aceleradas e pausas da música com precisão cirúrgica. Vasco Faé não deixa a peteca cair e aproveita sua voz potente e afinada para destilar os versos de forma enérgica. Obviamente não há comparações entre os vocalistas de cada gravação - principalmente por se tratar de um homem e uma mulher - ambos de talento ímpar. Mas como estamos falando de Janis Joplin não seria normal deixar de citar a emoção da mulher ao declamar cada verso "Oh Lord! Won't you buy me..." em sua versão. A letra, toda composta por Janis resulta num tipo de oração às avessas. Em vez de pedir por graça, paz e iluminação, a narradora implora a Deus por uma Mercedes-Benz, uma TV à cores (em 1970, a última novidade tecnológica), uma noite na cidade e ainda por cima pede ao Senhor para "provar que a ama". Antes de tudo é bom observar a ironia inicial: "Gostaria de cantar uma música de grande importância poética e social". Depois vem a polêmica letra. Mais audaciosa, impossível. Mas conhecendo Janis, fácil de compreender. A moça não era de levar muita coisa a sério e simplesmente era obrigada a fugir de todos os dogmas e esteriótipos existentes. Não é a toa que foi uma das poucas cantoras brancas de Blues. Uma das únicas a atingir enorme sucesso. Seu legado permanece até hoje, influenciando bandas de todos os cantos do mundo. Por sorte temos à Irmandade do Blues para nos representar à altura dessa Lenda que é Janis Joplin. No caso de Mercedes Benz, eles vão até mais alto ;)

Nunca ouviu?

[LADO A] A original com uma performance solitária, porém única de Janis Joplin, de 1970:



[LADO B] A regravação poderosa e acelerada da Irmandade do Blues, de 2009:

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