Mais um livro do Andarilho

[SHOW] Medalha para Clapton

13/10/2011

Show do Eric Clapton em São Paulo, 12/10/2011

É comum em rodas de conversa entre amantes da boa música, comentários que enfatizem o quanto o blues se tornou um gênero cada vez mais reservado, mais refinado e, consequentemente, mais seletivo. Os shows do B.B. King e do Buddy Guy em locais pequenos com ingressos mais caros, refletem isso, visto a posição lendária de ambos na música. Como os sábios dizem: toda a regra tem uma exceção. E a única pessoa no cenário da música que conseguiu inverter essa ideia acima foi Eric Clapton. O lendário guitarrista, no alto de seus 66 anos, passou pelo Brasil em turnê pra mostrar que o blues pode ser para as massas tanto quanto o rock ou o pop. Em São Paulo, seu show foi no Morumbi, em estádio quase tão lotado quanto o show de Paul McCartney ou do U2, para citar apenas dois dos maiores. Como trilha desse texto sobre o mestre Clapton, uma canção em parceria com ninguém menos que George Harrison. Segue a letra:




Badge
(Clapton/Harrison)

Thinkin' 'bout the times you drove in my car.
Thinkin' that I might have drove you too far.
And I'm thinkin' 'bout the love that you laid on my table.

I told you not to wander 'round in the dark.
I told you 'bout the swans, that they live in the park.
Then I told you 'bout our kid, now he's married to mabel.

Yes, I told you that the light goes up and down.
Don't you notice how the wheel goes 'round?
And you better pick yourself up from the ground
Before they bring the curtain down,
Yes, before they bring the curtain down.

Talkin' 'bout a girl that looks quite like you.
She didn't have the time to wait in the queue.
She cried away her life since she fell off the cradle.

Vamos à andança...

O blues começou forte no feriado de Nossa Senhora Aparecida com um de seus maiores hinos, Key To The Highway, na voz de Clapton, abrindo a noite ovacionado. Mais a frente, Hoochie Coochie Man, um clássico de Muddy Waters - grande influência do guitarrista - fez o público se inspirar mais uma vez, assim como Old Love, um dos maiores momentos do show, numa viagem hipnótica de quase 10 minutos. Falar em Clapton é deixar subentendido que solos absurdos e altamente viajantes da guitarra do Slowhand permearam quase todas as músicas. E é real. Clapton justifica o título de mestre com trechos sensacionais de guitarra sem perder a calma e a classe. Acompanhando a lenda, os músicos de sua banda não deixaram a desejar, com incríveis solos de teclado e piano para o delírio do público. Layla ganhou uma nova versão diferente da original e da acústica, mas ainda assim primorosa. Talvez o ponto mais alto veio com Badge, uma das melhores canções da carreira do guitarrista, gravada ainda no Cream e composta em parceria com ninguém menos que George Harrison, quando este ainda estava nos Beatles. Os versos entoados pelas backing vocals, além da caída numa distorção poderosa e retomada de Clapton ao riff mostraram uma diferença positiva em relação à canção original. Esse riff que abre a música e aparece no meio é suave, gostoso de ouvir, coisa típica de George Harrison. Ele vem acompanhado por um piano igualmente magnífico, um dos destaques dessa obra. Cada estrofe tem essa pequena evolução que, na terceira vez, culmina numa instrumentação rápida e o no refrão: "Sim, eu te disse que as luzes sobem e descem, você não percebeu como a roda gira? Então é melhor você se levantar antes que as cortinam se fechem". Não esqueça desse ensinamento místico valioso - outro dedo de Harrison. E quem não esperou mesmo as cortinas fecharem foi o próprio Clapton, que até hoje realiza espetáculos inesquecíveis como esse. Se o show teve pontos baixos, foi a pouca interação entre Eric e o público, além da ausência de outros hits históricos como Bad Love e I Can't Stand It. Mas isso é fácil de compreender, se conhecermos um pouco da história de Eric Clapton. Ele nunca quis ser um rock star. Começou com o blues, encontrou seu nicho e nunca quis deixá-lo. Deu uma escorregada aqui e ali criando algo mais popular, mas nunca renegou sua base. A adoração popular imensa veio como consequência de um trabalho absurdamente bom, independente do estilo. E é isso que ele veio aqui fazer: um show de blues inesquecível para milhares.

Vida Longa à Eric Clapton.

Nunca ouviu?

Estou pensando em como você deveria ouvir. Escute:

4 comentários:

Simplesmente Pimenta disse...

Queria ter ido nesse show :) só pra ouvir Tears and Heaven, mas acho que nem rolou né? rs

Andarilho disse...

Não, mestre! E essa é muito triste po... Rolou Layla, Old Love, serve? Hahahah Absss valeu pela visita

Renato disse...

O show foi muito bom mesmo.
O importante foi o foco 100% na música, já que todo o resto era muito simples, o palco com apenas uns tecidos pendurados de decoração e uma iluminação bonita.
Não tinha propagandas de patrocinadores, balões enormes com marcas de cerveja, telões com patrocínios. Foi simplesmente um show em que o mestre mostrou mais uma vez toda sua desenvoltura com a guitarra.

Andarilho disse...

Muito bem observado, mestre. Eu ia comentar isso e esqueci: o show foi simples, sem frescura. Só o Clapton, a banda e umas luzes básicas. O show de verdade foi na guitarra do cara. Abraços!

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