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Soldado da Sorte

15/09/2011

Uma experiência musical reflexiva e emocionante

Já comentei algumas vezes nesse blog que meu pai gosta de rock. São poucos os filhos que podem estufar o peito e dizer com orgulho: "meu pai curte uma sonzeira braba", por isso considero-me sortudo. Entretanto, longe de ter a mesma sede insaciável musical que o filho, meu pai não conhece os materiais mais lado B das lendas do rock. Pois bem, outro dia eu estava em casa ouvindo meu disco "Stormbringer" (1974) do Deep Purple quando começou a última canção do mesmo. Nem meu pai resistiu. Segue a letra:




Soldier Of Fortune
(Coverdale/Blackmore/Hughes/Lord/Paice)

I have often told you stories about the way
I lived the life of a drifter waiting for the day
When I'd take your hand and sing you songs
And may be you would say
Come lay with me and love me
And I would surely stay

But I feel I'm growing older
And the songs that I have sung
Echo in the distance
Like the sound
Of a windmill going round
Guess I'll always be
A soldier of fortune.

Many times I've been a traveller
I looked for something new
In days of old when nights were cold
I wandered without you
Those days I thought my eyes
Had seen you standing near
Though blindness is confusing
It shows that you're not here.

Now I feel I'm growing older
And the songs that I have sung
Echo in the distance
Like the sound
Of a windmill going round
Guess I'll always be
A soldier of fortune

Yes, I can hear the sound
of a windmill going round
I guess I'll always be
a soldier of fortune.
I guess I'll always be
a soldier of fortune

Vamos à andança...

Descobri que meu pai realmente apreciou Soldier of Fortune quando peguei o celular dele para dar uma olhada e vi a música ali na galeria. E não há como negar. Essa é claramente uma música de outro nível. Não há quem ouça e se sinta indiferente. Até o Darth Vader, se ouvisse, ia desistir de ser Imperador da Galáxia. Talvez ele até abrisse uma ONG pra ajudar as vítmas do Império. É uma das poucas baladas lentas do Purple, banda consagrada pelo seu Hard Rock de primeiríssima qualidade, com riffs violentos, vocalizações destruidoras e uma harmonia indescritível entre teclado e guitarra. Nesse caso, porém, todo o peso é trocado por um simples violão, somado à voz absurda de David Coverdale. Aliás, "simples violão" acaba se tornando um equívoco, visto que nas mãos do Mestre Ritchie Blackmore, qualquer instrumento se torna uma orquestra inteira. Aqui o Deus Sol do rock inicia com acordes suaves, numa linha mais renascentista, bem próxima do que costuma fazer muito bem no Blackmore's Night. Coverdale entra arrepiante, sem deixar o ouvinte pensar direito. Seus versos são claros, calmos, porém transparecendo toda angústia e dor do narrador, esse escravo do destino. A poesia toda é uma reflexão de um homem envelhecido, pensando sobre tudo o que passou e que o manteve longe de seu amor. Começa assim: "Eu frequentemente contei histórias sobre como vivi como um indeciso esperando pelo dia em que pegaria sua mão e te cantaria músicas e você diria: 'venha, deite-se comigo e me ame'. E eu certamente o faria". Tudo isso vem num ritmo doce, absolutamente impecável. Ao fundo entra a bateria de Ian Paice, precisamente tocante. Coverdale continua, iniciando com o verso mais doído da obra: "Mas eu sinto que estou ficando velho. E as músicas que cantei ecoam distantes, como o som de um moinho girando... Creio que sempre serei um Soldado da Sorte". Aqui o violão dá lugar para a guitarra, igualmente delicada, que faz um pequeno solo excelente, mas que, respeitosamente, prefere deixar a maior atenção na voz do cantor. Ele segue a história: "Por muito tempo eu viajei procurando por algo novo. Em dias antigos quando as noites eram frias, eu vaguei sem você. Nesses dias acreditei que meu olhos viam você se aproximando. Embora a cegueira fosse confusa, mostrou que você não está aqui". É necessária uma pausa pra destacar o verso "Those days I thought my eyes Had seen you standing near" (aos 2 minutos cravados). Depois de entrar no clima da canção e ouvir isso, é difícil se segurar. Coverdale praticamente chora, deixando a voz ainda mais rouca e trêmula, além de um pouco mais aguda. É arrepiante. O cara não sabe brincar... Não contente, após essa estrofe, ele já emenda o refrão novamente que encerra com a triste constatação: "Creio que sempre serei um Soldado da Sorte". Essa música é mais uma do Purple que atinge o status de obra-prima, muito próxima à Mistreated, por ser mais calcada no blues e sem a participação de Glen Hughes no vocal. Absolutamente sensacional, digna de todos os adjetivos e superlativos. Como mostrou o personagem, não há como escaparmos da nossa Sina. Da mesma forma, não há como resistir a essa canção ;)

Nunca ouviu?

Sua sorte é dar o play agora. Escute:

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