Mais um livro do Andarilho

Sentindo tristeza

30/09/2011

Tristeza, tristeza, tristeza, porém uma grande viagem

Sou suspeito pra falar de Creedence. Acho esse quarteto americano um dos mais importantes da história da música. São donos de uma discografia impecável, sem nem uma única canção ruim, não importa o contexto. Prova disso, essa canção sobre tristeza que, ainda assim, causa uma viagem descomunal. Faz parte do magnífico "Willie and the Poor Boys" de 1969. Segue a letra:




Feelin' Blue
(Fogerty)

Hey, look over yonder out in the rain,
Soakin' wet fever in my brain.
Now, I ain't certain which way to go,
But I got to move, sure.

Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
I'm Feelin' Blue. I'm Feelin' Blue.

Hey, look over yonder behind the wall,
They're closin' in I'm about to fall.
Now I'm no coward, but I ain't no cool
Feel it in my bones, my book is due.

Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
I'm Feelin' Blue. I'm Feelin' Blue.

Hey, look over yonder, up in the tree,
There's a rope hangin' just for me.
Without a warnin', without a warnin',
Things are pilin' up to break me down.

Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
Feelin' Blue, blue, blue, blue, blue.
I'm Feelin' Blue. I'm Feelin' Blue.

Hey, look over yonder, out in the street,
People laughin' by, walkin' easy.
Now, I'm no sinner, but I ain't no saint.
If it's happy, you can say I ain't.

I'm Feelin' Blue

Vamos à andança...

É importante lembrar que essa canção é emendada em uma outra curta jam chamada Poorboy Shuffle. Esse pequeno interlúdio dos garotos pobres conta com uma instrumentação leve, puxada por uma gaita ligeira. Algo bem cru, totalmente espontâneo e aleatório, como sugere o título. Ironicamente, Feelin' Blue surge na sequência, trazendo algo completamente trabalhado nos seus mais minuciosos detalhes. Ambas, é claro, absolutamente viajantes. Mas enquanto o Shuffle é rápida - apenas uma viagem momentanea - Feeling Blue traz bons cinco minutos da melhor viagem creedenciana. Falando em "blue", a canção tem uma maravilhosa base blueseira, puxada pela bateria firme de Doug Clifford. Logo é apresentado também o baixo de Stu Cock, competente como se tivesse acabado de sair da destruidora I Heard It Trhough the Grapevine. Os acordes de guitarra começam com a mesma leveza. Uma viagem suave, sem pressa em te conduzir - e muito menos em te trazer de volta. Nesse meio tempo, John Fogerty começa a canção em sua voz ótima. Seus versos possuem um ritmo excelente, misturando facilmente os sentimentos assim como mistura o blues com o rock and roll. Então, numa harmonia quase de nado-sincronizado, os vocais de apoio aparecem pra acompanhar John no refrão: "Sentindo-se triste, triste, triste". É simples, porém com um balanço altamente contagiante. Cada "Feeling blue blue blue blue blue" te fará cantar junto, certamente. Enquanto levado por esse balanço perfeito, tentamos desvendar o motivo da tristeza do narrador. Não fica claro na poesia. O que é certo é que ele vive um conflito. Versos como "Há uma parede se fechando e eu estou quase caindo" e "Uma corda balançando na árvore esperando por mim" mostram que ele está em sérios apuros - sejam externos ou internos. Quem poderá ajuda-lo? "Não sou um pecador, mas não sou santo" ele diz, tentando desabafar. Outro verso que gosto bastante na voz de Fogerty é: "Não sou covarde, mas não estou tranquilo" que mostra que ele não pode contar com ninguém além de si próprio. Está sozinho nessa, mas não vai desistir. A solução que ele chega, está logo na primeira estrofe: "Agora não sei exatamente que caminho seguir, mas devo continuar me movendo com certeza". Não poderia estar mais certo. Vamos em frente, sentindo tristeza ou não ;)

Nunca ouviu?

Sinta alegria, alegria, alegria em conhecer. Escute:

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