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Gente como você

23/08/2011

A voz do rock também canta injustiça e desigualdade

Outro dia me peguei pensando em como os tempos mudam. Como os valores de hoje são diferentes dos valores de décadas passadas. Não apenas valores, mas sentimentos pessoais e questões sociais também se inverteram. Parece que alguém também pensou nisso quando resolveu fazer rock and roll. Living Colour, uma das minhas bandas mais caras, traz essa lição de hoje, do disco "Time's Up" de 1990. Segue a letra:




Someone Like You
(Glover / Reidt)

Do you remember
The time of laughter
Children playing, life was so sweet
Before our city forgot us
And let the druglord take our street
Pacify me politician
Pacify me with your lies
Blind to the people suffering
Deaf to the children's cries

But I know what to do
With someone like you

Police
They chased my brother
Policeman licensed to kill
Oh how I miss my brother
Good shoes are so hard to fill
Policeman are you happy?
You snuffed a medical student out
Maybe he could have changed the world
I guess we'll never find out

But I know what to do
With someone like you
I know what to do
With someone like you

It's never too late to change your ways
It's never too late to change your ways

Too young
Gave her body
She was afraid of being alone
One baby having another
Sweet baby wants to be grown
But there's an angel on your shoulder
Always speaking to your soul
Listen and your heart will be glad
You'll never have to be alone

'Cause I know what to do
With someone like you
I know what to do
With someone like you
I know what to do
With someone like you
I know what to do

Vamos à andança...

Confesso que quando viajei nessa canção pela primeira vez, fui 100% conduzido pelo fator instrumental. Há um balanço precioso nos versos cantados por Corey Glover, e um balanço poderoso na guitarra de Vernon Reidt que destilam uma marcha ao fundo do funky criado pela bateria e baixo. O todo soa muito agradável de ouvir e completamente viajante, mas a voz dramática de Glover em alguns trechos dá a letra. O tom é negativo. Eles fazem uma severa crítica aos nossos "modos" atuais. Depois que li a letra, percebi isso. Como muitos dos milagres cotidianos, li justamente quando precisava ler. Quando estava pensando naquilo. Logo na estrofe inicial Glover relembra o passado, de forma desalentada: "Você se lembra dos tempos de risadas, crianças brincando, a vida era tão doce. Antes da cidade nos esquecer e deixar os traficantes dominarem as ruas. Acalme-me político. Acalme-me com suas mentiras, cego ao sofrimento das pessoas, surdo ao choro das crianças". A música vira pra uma caída excelente na guitarra que chama o refrão, curto e grosso: "Mas eu sei o que fazer com pessoas como você". Esse trecho, embora curto, é um dos momentos mais perfeitos da canção e guarda uma lição que você verá em breve. A guitarra solta rápidas e repeditas notas precisamente no meio-tempo dos versos. Harmonia: 10. E você, concorda com ele? As autoridades são cegas e surdas aos problemas da população? Parece que o Living Colour passou pelos mesmos problemas que nós, brasileiros. Lá em Nova York, constataram, além dos políticos corruptos da primeira estrofe, também abusos dos responsáveis pela segurança pública: "Polícia, eles perseguiram meu irmão. Policial licenciado para matar. Oh, como sinto falta do meu irmão. Bons sapatos são tão difíceis de calçar. Policial, você está feliz? Você exterminou um estudante de medicina. Talvez ele teria mudado o mundo. Provavelmente nunca saberemos". Destaco aqui o show de Corey nas palavras "I guess we'll never find out", audivelmente emocionado, arrepiante. Mas ele sabe o que fazer com gente como essa. E se você pensa que ele devolverá o tapa com a força dobrada, prepare-se para uma lição de superioridade, quando ele completa o refrão: "Nunca é tarde para mudar seus caminhos". Embora revoltado, ele dá uma nova chance aos culpados. Não guardará rancor, se eles se propuserem a mudar. Mais ou menos a mesma lição do belíssimo filme "Herói" com Jet Li. Se o assassino é o único com capacidade pra mudar o mundo, de que valerá matá-lo? O melhor mesmo é ensina-lo a praticar o bem. Assim como faz o anjo com a garota da terceira estrofe. Ouvindo as coisas boas dele, "ela nunca estará sozinha" ;)

Nunca ouviu?

Nunca é tarde pra aprender. Ouça agora:

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