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[SOUNDTRACK] O Lutador

29/07/2011

Uma história emocionante. Uma música vibrante.

Por incrível que pareça, é difícil para um amante da sétima arte falar sobre um de seus filmes preferidos. São tantos detalhes importantes, tantas situações únicas que tornaram o filme ainda melhor que fica complicado estruturar tudo em um único texto. É caso entre eu e O Lutador (The Wrestler, 2009). Talvez o meu mais preferido filme. Certamente o mais importante deles. Tanto que, enquanto escrevo, prevejo de antemão que este será um texto longo, mas igualmente profundo. Não se assuste com o tamanho. Há uma música recompensadora ao final dele. É dos Guns N'Roses, um dos seus maiores hits e que faz toda diferença nessa história incrível. Segue a letra:




Sweet Child O' Mine
(Rose / McKagan / Stradlin / Slash)

She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh
As the bright blue sky

Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stare too long
I'd probably break down and cry

Ohh! Ohh! Sweet child o' mine
Ohh! Ohh! Sweet love of' mine

She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes
And see an ounce of pain

Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder and the rain
To quietly pass me by

Ohh! Ohh! Sweet child o' mine
Ohh! Ohh! Sweet love of mine
Ohh! Ohh! Sweet child o' mine
Ohh! Ohh! Sweet child of mine
Ohh! Ohh! Sweet child o' mine
Ohh! Ohh! Sweet child o' mine

Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Where do we go
Where do we go now
Where do we go now
Where do we go (sweet child)
Where do we go now
Where do we go now
Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Where do we go now, now, now, now, now, now, now, now

Sweet child
Sweet child o' mine

Vamos à andança...

O filme:

O Lutador é um filme peculiar em diversos sentidos. É de autoria de Darren Aronofsky, um dos mais inspirados diretores da atualidade. Um dos meus diretores preferidos, sem dúvida. É dele também alguns dos melhores títulos dos últimos anos, como Réquiem Para um Sonho, Pi e o sua última maravilha, Cisne Negro (merece um texto exclusivo). Aronofsky é um cara que gosta de fazer o espectador pensar. Na verdade, "pensar" pode soar muito vago pro que ele intenta. Soaria melhor: Aronofsky gosta de fazer o espectador nascer de novo. Suas histórias são realistas, existenciais, cruas, envolvem conflitos mentais, além dos conflitos interpessoais, e em alguns casos, um belo suspense psicológico. O Lutador, curiosamente, é seu filme menos chocante, totalmente focado na realidade de um personagem. E que personagem... Randy "The Ram" Robinson, interpretado extraordinariamente por Mickey Rourke, é um lutador de Wrestling, um tipo de luta combinada que preza mais o espetáculo visual do que o realismo marcial das lutas. Assim como o esporte em si, no filme The Ram foi um ícone dos anos 80, e ainda hoje é querido pelo seu público específico e lembrado pelos saudosistas por seu golpe final e pelas vitórias que, mesmo combinadas, traziam muita emoção pro público. Foi um herói para muitos, e hoje sobrevive graças a essa fama. O preço foi alto, entretanto. The Ram não tem amigos, não tem família, não tem um relacionamento amoroso. Vive de Luta, rock and roll e strippers. Uma delas é Kassidy, vivida pela atriz Marisa Tomei, a única a despender à Ram alguma atenção e carinho, além dos que foram pagos.


Eis que nosso herói, em uma de suas muitas lutas, sofre um ataque cardíaco e vai parar num lugar até então estranho para ele: o hospital. Lá, seu pior inimigo, o médico, é categórico: se continuar com as lutas, The Ram pode ser derrotado pelo coração, e partirá dessa vida antes da hora. Agora fica o drama da realidade: como conviver com o mundo real, quando este praticamente não existe mais para o ex-lutador? Como dito acima, sem esposa ou amigos, Ram tenta se aproximar de sua filha, com quem não tinha contato há muitos anos, e com Kassidy, a dançarina que também carrega seus próprios conflitos pessoais - um deles também envolve a idade, pois ela já é pouco apreciada pelos clientes da casa. Nesse mar da triste realidade, Mickey Rourke se sobressai numa atuação maravilhosa, cuja história se mistura à de Ram. Ícone do cinema e galã de filmes clássicos dos anos 80, Rourke abandonou a carreira nos anos 90 para tentar a sorte no Boxe! Não obeteve sucesso e ganhou apenas cirurgias plásticas para corrigir o rosto. Perdeu também muito dinheiro e amigos. Encontrou em O Lutador sua Nova Grande Chance e não fez pouco dela. Assim como Rocky Balboa, nocauteou a crítica e os espectadores com a simplicidade e emoção de The Ram.

Mais alguns fatos importantes, antes do clímax: Mickey Rourke atuou de graça no filme. O baixo orçamento do projeto - 7 milhões aproximadamente - fez com que o mesmo precisasse de algumas doações. Outra delas foi a canção-tema, composta por ninguém menos que Bruce Springsteen que conquistou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Vale a pena ser ouvida e sentida. Um de seus versos resume bem o drama do filme: "Se você já viu um cachorro sem uma perna seguindo seu caminho, você me viu". Esse é The Ram, aquele que - como um cachorro abandonado - segue seu caminho, sozinho e encontrando felicidade naquilo que faz, no caso, a luta. Mas não é dessa música que falaremos agora. Houve outra doação para o filme de ninguém menos que Axl Rose. Em ato de grande generosidade, o vocalista dos Guns N'Roses, permitiu que o filme usasse um dos maiores hits da banda.


Soundtrack:

Já no ponto alto do filme, The Ram percebe que ele é um estranho para o mundo e, em vez de conhecer o carinho e amizade alheio, recebe apenas as duras porradas da vida - muito mais difíceis de aguentar do que as lutas que vivenciava. Não há espaço no cotidiano para um homem que só sabe lutar. The Ram nasceu para fazer o que sempre fez e então decide voltar pra sua verdadeira casa, as arenas. No clímax somos confrontados com a última possibilidade dele quem-sabe-talvez-muito-remotamente conseguir uma vida normal. A cena coloca tudo em jogo. A vida de Ram, o sucesso do filme. Poderia dar tudo errado ali. Poderia ser só mais um filme. Mas então toca Sweet Child O'Mine. Os acordes rápidos de Slash, em um de seus mais clássicos riffs, acorda não só Ram de seu momentâneo devaneio, como a nós próprios. É nessa hora que Ram decide-se. É nessa hora que ele descobre a verdade. E é a partir dessa hora que o filme entrega um desfecho mais do que surpreendente: completamente emocionante, fechando a peça com uma chave tão valiosa que não há metal no mundo capaz de forjá-la. Assim como tudo que envolve O Lutador, essa música é essencial. Se não fosse Mickey Rourke, não seria o mesmo filme. Se não fosse Sweet Child O'Mine não teria o mesmo efeito. Talvez nem The Ram acordaria. Mais que uma doação, Axl Rose deu o presente que O Lutador precisava receber. A música é empolgante, alegre e viajante, tudo o que Ram sempre sentiu enquanto reinava absoluto nos ringues undergrounds do Wrestling. Axl Rose puxa os versos rápidos, em sua voz aguda, sempre preciso. Quando cai a instrumentação e ele começa a vocalizar: "Where do you go" repetidas vezes, já estamos imersos nesse hard rock primoroso. Serviu para despertar The Ram. Serviu para nos entregar a resposta de bandeja: mesmo sem ter absolutamente nada ou ninguém, você ainda pode ser feliz com o que faz. Fazendo aquilo que você nasceu pra fazer. Então, como The Ram, entre no ringue ;)

Rodrigo Rosp, do Cineplayers, resume bem a peça:
'O Lutador' é a ótima jornada de um homem que não pode ser nada além do que é.

Nunca ouviu?

Ouça e acorde. Seja um Lutador e derrote todos. Escute:
(E por favor, assista esse filme)

2 comentários:

Danusa disse...

Deveria escrever mais sobre filmes!!! Só digo isso. =)

Andarilho disse...

Que bom que gostou! =)

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