Mais um livro do Andarilho

Adorável Rita

01/06/2011

A grande viagem do disco mais viajante dos Beatles

Um dos álbuns mais queridos não só da crítica como também de muitos roqueiros e beatlemaníacos, é sem dúvida o genial "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", de 1967 dos Beatles. O disco, conhecido pelo altíssimo nível de viagem e apurada técnica e produção ficou registrado como um dos mais vendidos da história e é considerado como uma verdadeira revolução no universo do rock. Quem não gosta do álbum, se é que é possível uma barbaridade dessas, ao menos o respeita. Em seu repertório, uma das canções resume tudo isso numa incrível viagem musical. Com vocês, a Adorada Rita. Segue a letra:




Lovely Rita
(Lennon/McCartney)

Lovely Rita meter maid
nothing can come between us
When it gets dark I tow your heart away

Standing by a parking meter
when I caught a glimpse of Rita
Filling in a ticket in her little white book
In a cap she looked much older
And the bag across her shoulder
Made her look a little like a military man

Lovely Rita meter maid
may I inquire discreetly
When are you free to take some tea with me

Took her out and tried to win her
had a laugh and over dinner
Told her I would really like to see her again
Got the bill and Rita paid it
Took her home and nearly made it
Sitting on a sofa with a sister or two

Lovely Rita meter maid
where would I be without you
give us a wink and make me think of you

Lovely meter maid
Rita meter maid
oh, Lovely Rita meter, meter maid

Vamos à andança...

Quando essa canção começa, imediatamente ouvimos um longo e agudo grito de John Lennon. O grito, na clássica voz que John fazia em tom de "tiração de sarro" - como em I Am the Walrus e I'm Only Sleeping - enuncia um acorde alegre de violão e mais alegre ainda é o coro dos meninos: "Lovely Rita meter maid" (algo como "Querida Rita policial feminina"). Parecem garotinhos bem comportados participando de um jogral na escola. Mas não são. São os Beatles. Logo você percebe que a música tem mais profundidade do que parece e a brincadeira tem tom meio malicioso, vindo da admiração que Paul McCartney teve pela policial de verdade, Rita - mesmo depois da moça ter dado uma multa de estacionamento pra ele. Dizem que ele nem se importou, tamanha a beleza da garota. Se for proporcional à qualidade dessa canção, não tenho dúvidas. Como ele mesmo diz na letra, num ritmo muito agradável: "Querida Rita, posso perguntar discretamente quando você está livre para tomar um chá comigo?". Mais a frente, um trecho engraçado sugere uma ideia mais picante do que um chá - se é que me entende: "Pedimos a conta e Rita pagou, levei ela pra casa e quase 'consegui' sentado no sofá com uma irmã ou duas". Além do balanço sensacional e da voz sempre ótima de McCartney, a canção ainda tem um backing preciso com gritos de "Ooooooow" exatos após cada estrofe, isso fora os diversos efeitos sonoros diferentes. Um deles produzido com papel lembra uma buzina, que corta os versos iniciais com um agudo absurdo. Nada soa forçado ou desnecessário, por sinal. Como dito acima: são os Beatles. Mas nem mesmo a beleza da tal da Rita se compara à outro elemento da música: o piano - também tocado por Paul. Esse vai ao fundo aparecendo de leve, com umas notas aqui, outras ali como quem não quer nada, fazendo um solinho no meio até que finalmente - para nossa alegria - domina mais um trecho dançante e envolvente acompanhado de suspiros(!) de John, vocalizações de Paul, ecos e o acompanhamento esperto da percussão de Ringo. Esse final é delicioso e surreal. Não dá margens à descrições precisas, apenas pode ser vivido com a música tocando. Pena que seja tão curto. Mas a viagem não é, e assim, mais uma vez, Beatles se apropria de um pedaço da sua mente ;)

Nunca ouviu?

Conheça aqui essa viagem chamada Rita. Escute:

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