Mais um livro do Andarilho

O coração morto

01/04/2011

O rock que ensina que somos iguais

Dia 9 de abril teremos mais um show histórico em São Paulo. Será o dia em que o U2 passará por aqui novamente deixando um pouco da mágica que a turnê 360º tem feito ao redor do mundo. O quarteto irlandês é um dos mais queridos do mundo e ficou famoso, principalmente, pelo seu apelo social e suas canções críticas. MAS engana-se quem pensa que o U2 foi o pioneiro do ativismo musical. Em 1971, a banda australiana Midnight Oil começou a utilizar a música como forma de protesto contra discriminação, guerras e sobretudo a favor das questões ambientais. Essa é uma das poucas que ficaram famosas por aqui, apesar da vasta carreira cheia de ótimas canções da banda. Faz parte do disco "Diesel And Dust" de 1987. Segue a letra:





The Dead Heart
(Hirst / Moginie / Garrett)

We don't serve your country
Don't serve your king
Know your custom don't speak your tongue
White man came took everyone

We don't server your country
Don't serve your king
White man listen to the songs we sing
White man came took everything

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

We don't serve your country
Don't serve your king
Know your custom don't speak your tongue
White man came took everyone

We don't need protection
Don't need your hand
Keep your promise on where we stand
We will listen we'll understand

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

We carry in our hearts the true country
And that cannot be stolen
We follow in the steps of our ancestry
And that cannot be broken

Mining companies, pastoral companies
Uranium companies
Collected companies
Got more right than people
Got more say than people
Forty thousand years can make a difference to the state
of things
The dead earth lives here

Vamos à andança...

Há um show do U2 registrado no filme "Rattle and Hum" em que Bono faz um de seus muitos discursos políticos à platéia e depois se desculpa: "Desculpe se cansei vocês". Já conheci muita gente que reclamou também dessa atitude do roqueiro, de pausar suas músicas pra falar. O mesmo acontece com Rage Against The Machine e seus discursos inflamados. O grande diferencial de bandas ativistas é também seu maior veneno. E não foi diferente com o Midnight Oil, uma das primeiras e mais importantes bandas que lutaram pelo nosso planeta por meio da música, mas que logo perdeu força e público, cansados de tanta revolta, tanta acusação e tanto "verde". As vezes às pessoas querem apenas música, e não dá pra culpa-las. Todos nós de vez em quando queremos só ouvir música pra descontrair, relaxar ou dar uma leve viajada. Mas o que importa é que os australianos ficaram marcados na história com canções excelentes como Bed Are Burning, White Skin Black Heart e essa sensacional The Dead Heart. Ao começar essa canção, observamos um riff de violão muito bom que logo é acompanhado por um coro. Essa combinação permeia a música em momentos estratégicos, alternando o foco com o vocalista caricato Peter Garret. Este não é do tipo virtuoso, seu negócio é mais a poesia e a paixão do que a técnica. Melhor assim, pois seu estilo cai como uma luva numa letra que diz: "Não servimos seu país, não servimos seu rei. Conhecemos seus costumes mas não falamos sua língua. O homem branco veio e levou tudo". Os versos são cantados rápidos no clima de suspense formado pela bateria e violão + coro e logo culminam no refrão, totalmente em coro e em outro rítmo também excelente: "Nós carregamos em nossos corações o verdadeiro país e este não pode ser roubado. Nós seguimos os passos de nossos ancestrais e isso não pode ser quebrado". A canção é à favor do povo australiano Aborígene, um dos mais antigos da terra, e que ocupavam boa parte da Oceania, mas como todo povo considerado "primitivo" como os Índios americanos ou os Hadzas africanos, logo foram explorados, expulsos de sua terra ou mortos pelo "homem civilizado". E é sempre assim, não? O homem considerado evoluído esquece ou ignora seus semelhantes sempre em busca de riqueza e mais riqueza. Esquecem que o homem evoluído não é o que tem mais, mas sim o que dá mais. Com Midnight Oil aprendemos muito disso ;)

Nunca ouviu?

Essa é o Avatar da música. Escute:

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