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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Eu me lembro de como você soltou os cabelos

30/12/2010

E aqui encerra-se mais um ano musical cheio de emoções e viagens profundas. 2010 termina e deixará saudade para muitos - e eu estou incluso nessa. Foi um ano muito especial e para fazer essa breve viagem reflexiva do ano escolhi falar mais uma vez sobre o Dispatch, banda pouco conhecida do público geral. Essa música é do primeiro álbum deles, "Silent Stepless" de 1996 e é tão boa que, vejam só vocês, eu estou trabalhando em pleno dia 30/12 e estou feliz ;) Segue a letra:





Water Stop
(Heimbold)

when you dove, drunk with sleep in your eyes
you stole what was left of the sky,
I remember how you freed your hair,
hung your head in a forgotten stare
and I thought... and I thought...

When will the water stop?
Will it pour all day?
when will the water stop?
I know that you can't say

Turning to fall out of our lives,
spinning pictures: blue screams and red kisses,
you sank into yourself and
I got lost somewhere in between
and I thought... and I thought...

When will the water stop?
Will it pour all day?
when will the water stop?
I know that you can't say

She is washed up on his shore,
there's no time to get into his life,
she is washed up on his shore,
there's no time to get into his life
No, no... Yeah
No, no... Yeah

Vamos à andança...

No começo de 2009, um sábio chamado Renato, que por acaso é meu primo, de repente me mostrou Dispatch. Ele não me alertou do impacto que aquela banda teria na minha vida, mas certamente já devia imaginar. Curiosamente eu passava por um momento difícil na época, mas foi do Dispatch - juntamente com Fernando Noronha e Black Crowes - de onde reuní forças pra destruir meus demônios. Todos eles. Desde então o trio americano passou a figurar nas minhas mais caras bandas, sempre me fornecendo inspiração e sorrisos involuntários quando eu mais preciso. 2009 passou, marcado como um ano de sucesso. Veio então 2010 prometendo ser melhor ainda. E foi. Durante seus meses, Dispatch permaneceu incólume em meu player, destilando emoção nas cordas dos violões de Chad Urmston, Pete Heimbold e Brad Corrigan. Digo cordas me referindo aos três, pois os três tocam tudo. Sim, Dispatch é uma banda genial, composta por três jovens de talento monstruoso que revezam suas funções de violonistas, guitarristas, baixistas, vocalistas, backings e percussionistas. Como toda banda altamente genial, o Dispatch terminou prematuramente, durando apenas 6 anos com alguns retornos esporádicos depois de 2002. Mas a herança fica eternizada em cada disco e ouvir um trabalho deles é se jogar nesse caldeirão musical aparentemente suave pela sua base folk, mas cheio de emoções pesadas e viagens excelentes trazidas pelos três. É o tipo de banda que a cada escutada te faz ter uma nova música preferida. A última que me conquistou e está me fazendo repeti-la dezenas de vezes (algo que raramente costumo fazer) nesses últimos dias de 2010 foi Water Stop.



O gênio da vez, dono da canção é Pete Heimbold e nada mais justo que ele faça o vocal principal. Ele começa a canção em seus primeiros segundos suavemente, quase à capella, não fosse o violão baixinho ao fundo. Ele diz: "Quando você voou, embriagada de sono, você roubou o que restava do céu. Eu lembro do modo como você soltou seu cabelo e manteve a cabeça em um olhar perdido. Eu pensei, eu pensei..." Aqui, no refrão, Heimbold ganha o reforço de seus amigos nos backings, igualmente suaves: "Quando a chuva vai parar? Vai chover o dia todo? Quando a chuva vai parar? Sei que você não saberia dizer". A voz de Heimbold é bacana e grave, do tipo que um herói de filme tem que ter. E justamente como um herói no clímax da ação ele destrói na próxima estrofe com um grito do fundo do âmago: "Turning to faaaaall... Out of our lives". E aí o garoto vai embora, declamando rápido e emocionante. Enquanto ele canta e entra no refrão - dessa vez também acelerado (e com gritos também nos backings) -, o ouvinte viaja, pensa na água, na chuva à noite e de como é bom dormir com ela, pensa nas pessoas especiais, que fazem diferença em sua vida. Pensa nelas com carinho, nos momentos bons e em todos os vôos já realizados. Pensa no amor, e no jeito como ela solta os cabelos e em como é bom estar com ela. Pensa em água caindo, sente-se lavado por essa chuva revigorante e emite um sorriso involuntário. Nisso o trio já chegou à última estrofe que trás um show à parte e que merece ser ouvido e não descrito. Merece ser ouvido e refletido com tudo de bom que passou esse ano e tudo que promete pro ano que vem ;)

E que 2011 traga ainda mais sucesso. Feliz Ano Novo à todos viajantes ;)

Nunva ouviu?

Voe nessa chuva incrível. Escute:

3 comentários:

Renato disse...

Nunca vi uma descrição tão perfeita de uma badna como essa feita pelo Andarilho.
Toda músicado Dispatch é cheia de detalhes, que vão aparecendo aos poucos e numa primeira escutada é impossivel captar todos de uma vez.

Abraço

Danusa disse...

Ainda não fui tocada pelo Dispatch como vcs foram...mas é bonita sua descrição da música e da banda..

Eu continuarei tentando..=P

Lucas Montenegro disse...

A melhor banda do mundo!
Me bateu uma tristeza imensa quando não consegui tirar o visto pra ir na turnê deles nos EUA esse ano...

Aliás, na foto não é o Dispatch, é o State Radio, a banda que o Chad formou depois do Dispatch =)

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