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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Um homem mediano

29/11/2010

Faz tempo que quero postar sobre essa canção do Living Colour. Como estou ouvindo bastante o primeiro CD deles, "Vivid", de 1988, chegou a hora de falar sobre ela. O motivo da viagem é o excelente balanço da canção, somada à uma letra realmente interessante, a qual tomo como uma lição pro dia-a-dia e vale a pena parar pra prestar atenção. Segue a letra:





Middle Man
(Glover / Reid)

I don't have a need to be the best
Don't want to be just like the rest
Just stay who I am
Just an ordinary Middle Man

Give me the happy medium
Don't want to be the one whose leading them
I've got no master plan
Just a simple Middle Man

Standing on a fine line between this and that
Just biding my time waiting for a sign
To tell me that I'm something special

My ideas are mine alone
Not yours, not theirs, but I care
I hurt for you, but not with you
I love that thing that's inside you

But I'm not your fan
I'm a stranger in a strange land
I'm your Middle Man

But I'm not your fan
I'm a stranger in a strange land
I am your Middle Man

Vamos à andança...

Essa música abre com um riff explosivo de Vernon Reid. Contagiante, o riff sobe e desce como uma mola e apresenta a bateria vigorosa de William Calhoun. O baixo também marca presença, galopante por trás das pancadas. Então Corey Glover começa em sua voz bacana: "Eu não tenho necessidade de ser o melhor. Não quero ser como o resto. Apenas sou quem sou: um comum homem mediano". Detalhe pra quando ele diz "just an ordinary... Middle Man" e o riff explode de novo. Vontade de ficar parado se esvai, como qualquer ganancia de um homem na média. Ele continua, no mesmo pique: "Me dê o feliz médio. Não quero ser o líder dos outros. Não tenho um plano-mestre. Sou apenas um simples homem mediano". Uma leve virada na instrumentação e uma leve afinada de Glover na voz trás: "Fico na tênue linha entre isso e aquilo. Mantenho meu tempo, esperando um sinal dizendo que sou algo especial". Esse "special" puxado é excelente e com ele entra um solinho não tão virtuoso mas igualmente empolgante. Afinal, não estamos falando dos maiores nomes do rock'n'roll, mas de caras simples que despretenciosamente conquistaram muitos fãs por fazerem uma música no mínimo excelente. A lição fica pra nós também. Pra quê ser o Melhor? O mundo selvagem nos instiga a sermos os primeiros, os melhores numa eterna e gigantesca competição. Ele nos ensina a deixar nossos adversários pra trás, comendo pó, enquanto somos campeões de nós mesmos. Mas pra quê? Por que não se manter na média? Por quê não ser um Homem Simples , como também diria Lynyrd Skynyrd ? "Seja um tipo simples de homem. Seja algo que você ama e entende", eles disseram. Concordo com a voz do rock and roll. Vale mais a pena ser um cara simples, fazendo sua parte, com apreço e tranquilidade, sem se preocupar em ser necessariamente o primeiro do que entrar nessa competição que torna os homens menos humanos, tira suas tolerâncias e os torna pouco mais que números. Seja um homem mediano, e seja feliz. Se só eu penso assim, então também sou "um estranho numa terra estranha" como encerra Glover ;)

Nunca ouviu?

Ouça uma música que de mediana não tem nada. Escute:

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