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[SHOW] O Sonho Ainda Não Acabou

22/11/2010

Lady Madonna.
Show do Paul McCartney em São Paulo, dia 21/11/10


Pois é. E não é que é verdade? Paul McCartney é real. Junto com ele, o legado da maior banda que já pisou nessa Terra, os Beatles. Aqueles caras que vestiam terninho, zombavam dos jornalistas e corriam das fãs foram reais. Aquele que tocava baixo ao contrário, fazia pose de galã e caprichava no sotaque inglês é real. Paul, aos 68 anos, está mais vivo do que nunca, como provou no show de ontem, em São Paulo. Segue aqui um breve relato da experiência de ver uma das maiores lendas da música e um dos meus maiores ídolos ao vivo. Ao som de Lady Madonna, saiba logo menos por quê. Segue a letra:


Paul, em São Paulo



Lady Madonna
(Lennon/McCartney)

Lady Madonna,
Children at your feet
Wonder how you manage to make ends meet.

Who finds the money
When you pay the rent?
Did you think that money was Heaven sent?

Friday night arrives without a suitcase.
Sunday morning creeping like a nun.
Monday's child has learned to tie his bootlace.

See how they run.

Lady Madonna,
Baby at your breast
Wonders how you manage to feed the rest.

See how they run.

Lady Madonna,
Lying on the bed.
Listen to the music playing in your head.

Tuesday afternoon is neverending.
Wednesday morning papers didn't come.
Thursday night your stockings needed mending.

See how they run.

Lady Madonna,
Children at your feet
Wonder how you manage to make ends meet.

Vamos à andança...

Antes de falar sobre o Show do Paul McCartney é preciso colocar alguns pontos importantes. É preciso mostrar o que essa experiência significaria pra mim e para muitas pessoas como eu, já que logo de cara era possível observar no Estádio do Morumbi que a grande maioria do público era composta por jovens, do tipo que nem eram nascidos quando a banda terminou, ou até mesmo quando Lennon morreu (como é meu caso).

Conheci Beatles, de fato, em 2000, quando eu tinha 13 anos. Eu era um garoto da oitava série quando ouvi pela primeira vez uma coletânea dos Beatles, um presente que minha mãe deu pro meu pai. Naquele ano e no seguinte, ouvi aquele disco todos os dias, sem exceção. Decorá-lo não foi o bastante e logo passei a ir atrás da discografia oficial da banda - coleção que só concluí 8 anos depois. A demora não foi problema, pois a idéia era sugar aos poucos cada álbum. Ouví-los individualmente o quanto fosse possível, até saber de cor cada verso, cada batida, cada virada. Nem mesmo isso tudo foi capaz de saciar a fome que domina um beatlemaníaco. Beatles é mais que música - é conceito, é viagem, é amizade e amor. Não bastava conhecer todas as músicas, era preciso também ver todos seus filmes, ver todos seus documentários, ouvir todos seus bootlegs, ler suas reportagens e ler sua infinidade de livros numa incansável busca de se sentir mais perto deles, conformado pelo fato de nunca vê-los ao vivo.


Eis que é anunciado o show do Paul McCartney. Apesar de ser uma das mentes responsáveis por tantas boas músicas da banda e dono de um respeito enorme, Paul era talvez meu Beatle menos preferido. Sempre fui grande fã de John Lennon, e ao conhecer melhor cada integrante, me identifiquei mais com George Harrison. Ringo sempre foi carismático e eu o considerava a cola que grudava a banda. Agora Paul... Paul não me trazia simpatia. Eu o via como o grande gênio musical, isolado em seu pedestal criativo, munido de leve arrogância e humor escrachado. Obviamente suas músicas sempre foram excelentes, e tive muitos amigos beatlemaníacos que tinham no baixista, seu beatle preferido. Não era meu caso. Mas ainda assim é um Beatle, um ídolo vivo e que veio fazer um show aqui. Eu não perderia por nada...


Paul é um fanfarrão. Sempre foi e não é aos 68 anos que o bicho vai perder a alegria de viver. Começou o show falando português e logo de cara mandando algumas piadas pra dar ainda mais sorrisos aos que esperaram várias horas ou alguns dias para vê-lo. Fez piadas e também dançou, correu e pulou, esbanjando uma saúde invejável. Pelo visto o vegetarianismo tem lá suas vantagens. Paul também emocionou muita gente ao lembrar de seu antigo parceiro, John Lennon antes de tocar Here Today. Confesso que o momento que mais me emocionou na noite foi quando ele sussurrou: "John... This is for you" já emendando a canção. O outro mestre tombado, George Harrison também foi lembrado, quando Paul pegou um ukulele e tocou Something, acompanhado de diversas imagens do simpático guitarrista no telão. Alternando entre canções dos Beatles e de sua carreira solo, Paul não deixou ninguém parado, nem calado, por quase 3 horas. Como ele mesmo brincou: "Ia pedir para vocês cantarem essa junto. Mas vocês já cantam todas juntos mesmo..." Era possível ver a satisfação no rosto do cantor. Satisfação e emoção, graças ao público que o ama. Tanto que ele mesmo também se declarou: "I love you, yeah yeah yeah". Sensacional. Melhores momentos são difíceis de selecionar. O show inteiro foi um momento indescritível, mas ficam os destaques para a fase Beatle com Drive My Car, All My Loving, I've Just Seen a Face, Blackbird, Back in the USSR, Let it Be e a hipnótica Helter Skelter. Da carreira solo: Highway, Let me Roll it, Sing the Changes e, é claro, Band on the Run. Agora, a que me mais surpreendeu foi Lady Madonna. O motivo? Essa canção foi simplesmente a responsável por eu gostar de Beatles. Quando ouvi aquele CD dos meus pais, há 10 anos atrás, pela primeira vez, foi com o riff do pianinho rápido, os trompetes revigorantes e a voz grave e afinada de Paul criando um clima de bar em Lady Madonna que parei e pensei: "Opa. Aqui tem coisa boa" e virei fã. Lady foi minha primeira preferida do quarteto e até hoje possuo um apreço especial por essa canção. Quando a ouço sinto energia fluir, um sorriso involuntário se formar e vontade de pular e dançar como o próprio Paul. O que esse senhor nos deu ontem, mais que um show, é uma lição de felicidade que mostra que, ao contrário do que John Lennon disse em seu primeiro disco solo, o sonho ainda não acabou. Está mais vivo do que nunca, carregado com Paul McCartney e a alegria de um eterno Beatle ;)

Obrigado, Paul.

Nunca ouviu?

Ouça e seja feliz. Escute:

11 comentários:

Vagno Fernandes disse...

Uma vez Beatle, Beatle For Ever!, rs.
Fla Brother, não sou muito fã dos caras não, mas tb tenho minha seleção na ponta da agulha sim senhor, (claro, não sou bobo). Parabéns pelo texto brother, deu vontade de ouvir minha seleção agora, =D.

@amanda_qz disse...

Quando li seu post me emocionei com a riqueza do sentimento único que esse momento trás na vida da pessoa. Tô muito deprê por não ter ido ao show por falta de companhia(ser de menor é triste), mas tenho certeza que um dia terei essa dádiva, e será o grande momento da minha vida! Paul é a música em forma humana. Todos os adjetivos qualificativos são poucos para descrevê-lo. Apesar de essa vez não ter dado certo pra mim; mantenho a esperança viva e tenho orgulho de ter um coração tão rico, pois sou fã da melhor banda do universo.

Andarilho disse...

Amanda,
Com certeza voce tem toda a razao: nao há adjetivos pra descrever McCartney, nem os Beatles. São incríveis e realmente, ver o Paul foi a maior realização musical que ja tive. Pena que vc nao pode ir, mas é isso aí, nao perca as esperanças jamais. Eu mesmo nunca imaginei que veria um beatle, mas a hora certa chegou e chegará pra vc tb! Obrigado pelo comentário ;)

Vagno,
Valeu pelo elogio brother. Beatles é assim, mesmo quem nao é maniaco aprecia. Pode tasca sua seleção aí que eu to dando o play na minha agora, haha. Abraço! ;)

Anônimo disse...

Só pra constar, isso aqui é um banjo: http://www.shubb.com/banjo/pix/banjo2239.jpg

e isso aqui é um ukulele: http://www.kith-kin.co.uk/assets/blog/KU-600.jpg

Em Something, Paul usa um ukulele.

=)

Andarilho disse...

@Anonimo
Valeu, já corrigi. Apareça sempre ;)

Jun disse...

Aloooooha Player
Já era de se esperar que depois desse incrível show, esse seria um dos melhores post que já vi, um dos post mais sinceros, e mais tocante
E posso falar? talvez nem lembre como foi o meu primeiro contato dos beatles, eu devia ser muito pequeno, mas eu lembro quando comecei a apreciar a banda do jeito que eles merecem, depois que eu conheci o senhor, e foi uma honra ver o show ao seu lado, mestre!!!!

Alex Kessler Affonso disse...

Depois de presenciar um espetáculo como aquele ao lado de pessoas sensacionais, de estar em choque e rindo a toa o tempo todo, não tem nada melhor do que ler um texto carregado de sensibilidade, que traduz com total exatidão o que sinto nesse momento!
A sensação é exatamente essa: Mais que um show, eu tomei uma lição de felicidade naquela noite, e essa lição está surtindo efeito em cada momento e pequeno gesto do meu dia-a-dia!
E ter vivido essa lição ao lado de vocês foi lindo!
Você escreve maravilhosamente, já virei seguidora do blog!
Beijo!

Anônimo disse...

Fala Felipão, meu brother!
Realmente foi um post inspirado e não poderia ser diferente.

Eu pude observar e conviver esses anos contigo e ver sua paixão por Beatles, sua admiração e quantas e quantas vezes ouvir várias e várias vezes as músicas deles. Talvez por isso... aliás, talvez não... Com certeza por isso também passei a gostar da banda, das músicas, decorar algumas delas e poder dizer que sou um fã também!
Thanks bro...

Tu hermano,

Fábio

Giovani disse...

eu nunca fui la fã de beatles, calma nao precisa atirar pedra e sair atras de mim com uma foice, mas é uma banda que respeito e uma coisa q sempre achei legal neles foi a alegria em tocar, todos, sempre foram o maximo enquanto musicos. Belo post.

Andarilho disse...

Valeu Jun, fico imensamente feliz em saber que vc se tornou mais fã de Beatles por minha causa. Esse show vai ficar na memória pra sempre, valeu por mais esse show pra nossa lista, mestre!

Ju, obrigado pelo comentário. Excelente! Foi muito bom ver o show com vcs tb, vai ficar na memoria pra sempre. Obrigado por virar seguidora do blog, fico honrado.

Fabio, eu imaginei que vc gostaria de ter ido, pq vc é realmente grande fã do McCartney e fico feliz em ter colaborado com vc trazendo Beatles assim como aprendi muita coisa com vc tb. Faltou vc la brother, com ctz!

Giovani: obrigado pelo comentario, isso que é bacana: mesmo quem nao é fã de Beatles respeita os caras pela importancia na historia da musica e, como vc disse, a alegria de tocar e fazer canções. Valeu cara um abraço!

Slibor-guério disse...

Cara...sem palavras...Beatles é isso...sentimento emoção música arte...tem certas coisas que DEUS ou ALA ou BUDA ou seja lá quem for, criou de uma maneira que não pode ser descrita com palavras, Paul representa uma dessas coisas....e seu POST só mostra o qto isso é verdade...

Beatles é sentimento ontem hoje e pra sempre....
Abs e Parabéns pelo POST

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