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Sou um homem em constante dualidade. Metade de mim queria ser um astro do Rock. A outra metade um monge budista. O resultado disso foi um blog que mistura John Lennon e Jesus Cristo e um livro chamado Heróis e Anônimos.

Estamos vivendo em uma quadrilha acorrentada

01/11/2010

A injustiça é um tema bastante intrigante, sobretudo no Brasil, onde tudo é aparentemente ao contrário. Aqui valores como ética e honra valem nada ou muito pouco, ao passo que a ganância e malandragem são vistos como virtudes. O mundo do rock and roll já tratou diversas vezes desse assunto, como mostra o Skid Row, com essa canção excelente, do disco "Slave to the Grind" de 1991. Segue a letra:




Livin' on a Chain Gang
(Bach / Bolan)

Turn on the TV 'cause I got nowhere to go
Seems that there's a little trouble down in Mexico
A 13-year-old boy robs a store so he can eat
And they got him doing time while killers walk the streets

A hungry politician is the wolf that's at the door
Hell-bent on submission and feedin' on the poor
We could stare into the sun if we would open up our eyes
But we paint ourselves into a corner colored in white lies

Busted on a rockpile - getting dusted in the heat
Shackled to the system - and draggin' my feet

I'm riding on a breakdown
Another whiteknuckled shakedown
Feels like I'm livin' on a chain gang
I'm riding on a breakdown
A suicidal shakedown
Feels like I'm on a chain gang

A con man's intuition can wash your sins away
Send your contribution and he'll save your soul today
What can he know, has he been through hell and back
He takes the cash and drives it home in a brand new cadillac

Spitting at the guard dog, burning in his wicked deal
Screamin' down the railroad with no one at the wheel

I'm riding on a breakdown
Another whiteknuckled shakedown
Feels like I'm livin' on a chain gang
I'm riding on a breakdown
A suicidal shakedown
Feels like I'm on a chain gang

Faith healin', superstition
Cold-blooded criminal mind
Getting off on high position
Hey brother can you spare a dime
To get me off this slaughter line

I'm riding on a breakdown
Another whiteknuckled shakedown
Feels like I'm livin' on a chain gang
I'm riding on a breakdown
A suicidal shakedown
Feels like I'm on a chain gang

I'm riding on a breakdown
Another whiteknuckled shakedown
Feels like I'm livin' on a chain gang
I'm riding on a breakdown
A suicidal shakedown
Feels like I'm on a chain gang

Vamos à andança...

"Ligo a TV pois não tenho pra onde ir, parece que há um pequeno problema no México. Um garoto de 13 anos rouba uma loja pra poder comer e é pego em flagrante enquanto assassinos andam pelas ruas". Esses são os primeiros versos dessa canção inspiradíssima do Skid Row. Não há tempo pra raciocinar, pois Sebastian Bach começa arrepiando desde o primeiro milésimo de segundo. Dando base ao potente vocal ouvimos também pancadas poderosas na bateria e acordes pesadíssimos de guitarra de Scotti Hill e o baixo de Rachel Bolan. Após essa primeira estrofe, os intrumentos dão uma acelerada e a instrumentação se firma numa canção rápida, pesada e muito revoltada. "Político corrupto é o lobo esperando à porta" e "Uma instituição que pode lavar seus pecados através de contribuições" são exemplos de que, como diz o título, "Parece que estamos vivendo em uma quadrilha acorrentada". Além disso o hard rock de qualidade de Skid Row não serve apenas pra ilustrar a situação. Ele vai mais além e cutuca as feridas: "Poderíamos olhar para o sol se nós abrissemos os olhos. Mas ao invés disso, pintamos à nós mesmos num canto com mentiras brancas". Em outras palavras: a culpa é nossa. Fingimos que vivemos uma vida decente enquanto, com nosso silêncio, somos cúmplices de tantas injustiças. Uma vez um mestre de Kung Fu me disse: "Para o mal vencer, basta o bem não fazer nada". Esse mestre estava certo. No Brasil, somos campeões em não fazer nada. Enquanto políticos corruptos cada vez mais se aproveitam de nosso dinheiro de forma descarada; enquanto cada vez mais bandidos deixam de ser presos; enquanto inocentes morrem inutilmente, preferimos não fazer nada ao invés de contra-atacar com o bem. Não é preciso reagir? Como diria Gabriel, o Pensador: "Até quando você vai levando porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada?" ou num verso ainda mais provocador: "Até quando você vai ficar usando rédea, rindo da própria tragédia?"



Aos que, como eu, são desiludidos com o Brasil, deixo aqui um lampejo de esperança. Ele vem em forma de Cinema e eu como apreciador da sétima arte não poderia deixar de incluir essa obra aqui. Sim, se você já assistiu Tropa de Elite 2 sabe do que estou falando. Se não viu, minha recomendação é que você assita agora! Largue tudo e vá ao cinema agora. A sensação após assistir esse filme é a de que sua revolta não é solitária. De que alguém está do seu lado. De que mais alguém pensa como você e está tentando fazer algo. José Padilha, o diretor do excelente filme fez e merece parabéns. Apontou pros bandidos e deu nome aos bois, numa produção de qualidade impecável, cuja qual qualifico humildemente como "O Melhor Filme de 2010 e, de longe, o melhor Filme Nacional já realizdo". Infelizmente, como diz um Coronel Nascimento um tanto desalentado, diante de uma bandeira brasileira pateticamente murcha: "Pra mudar alguma coisa, ainda vai demorar muito..." Enquanto isso a gente ao menos ouve o bom som do Skid Row pra fluir a indignação ;)

Nunca ouviu?

Atenção, seu sangue vai correr mais rápido agora. Escute:

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