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Quatro Mulheres

13/01/2010

Agora é hora de abrir o ano pelo lado das mulheres. O time feminino pode estar pequeno ainda aqui, mas está com uma qualidade inquestionável. Para manter esse nível, trouxe uma mulher sensacional que conheci no fim do ano passado, a Nina Simone. O álbum que eu tive a graça de escutar foi o "Wild Is The Wind" de 1966. Segue a letra:





Four Women
(Simone)

My skin is black
My arms are long
My hair is woolly
My back is strong
Strong enough to take the pain
Inflicted again and again
What do they call me?
My name is aunt Sarah
My name is aunt Sarah

My skin is yellow
My hair is long
Between two worlds
I do belong
My father was rich and white
He forced my mother late one night
What do they call me?
My name is Saffronia
My name is Saffronia

My skin is tan
My hair is fine
My hips invite you
My mouth like wine
Whose little girl am i?
Anyone who has money to buy
What do they call me?
My name is Sweet Thing
My name is Sweet Thing

My skin is brown
My manner is tough
I'll kill the first mother i see
My life has been too rough
I'm awfully bitter these days
Because my parents were slaves
What do they call me?
My name is Peaches

Vamos à andança...

Com ela aconteceu algo que ocorre algumas vezes. E eu adoro quando isso acontece. Fui apresentado à Nina sem nunca ter ouvido falar nela (ok, uma vergonha da minha parte) pela minha cara Danusa (valeu, menina!). Quando ouvi o CD inteiro soltei um sorriso involuntário e pensei: "isso é muito bom". Essa mulher manda bem demais, tem uma voz característica e um ritmo apaixonante, além do trabalho instrumental, claro. Escolhi essa canção do álbum por ter me tocado em sua interpretação emocionante e por ter descoberto, depois, que era uma composição da própria Simone. E que letra, diga-se de passagem. Como o título diz, ela fala sobre 4 mulheres, afro-americanas que carregam histórias sofridas. Ela as descreve em primeira pessoa em um tom suave e triste, quase que encarnando suas próprias dores. Por exemplo no começo, acompanhada do maestral pianinho e acordes de guitarra delicados, como a própria voz da cantora, ela recita: "Minha pele é preta, meus braços são longos, meu cabelo é grosso, minha costas são fortes. Fortes o bastante pra carregar a dor, inflingida de novo e de novo... Do que eles me chamam? Meu nome é tia Sarah". Bonita demais, mas não menos tocante que as outras personagens, sobretudo a segunda que diz em certa parte "Meu pai era rico e branco, ele forçou minha mãe numa noite...", revelando um passado tenso, presente em muitos casos. A terceira é uma prostituta, como ela revela: "Que garotinha sou eu? Qualquer um com dinheiro pode comprar. Do que eles me chamam? Meu nome é 'Coisa Doce'". Mas o destaque maior vem na última das quatro mulheres, descrita como uma amargurada filha de escravos, logo depois de uma instrumentação incrível que vai evoluindo, como a própria canção. Aqui a voz de Nina se torna dramática e pesada, que explode no grito final. Se há alguém capaz de mistificar o a emoção dessas 4 mulheres, é uma quinta e poderosa mulher, Nina Simone ;)

Nunca ouviu?

Que vergonha, mas junte-se a mim. Escute:

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