Mais um livro do Andarilho

Como eu queria que você estivesse aqui...

28/07/2009



Música que marca. Eu reconheço que não sou digno de falar muito do Pink Floyd. Meu pai é. Poucos caras no mundo têm a sorte que eu tenho de poder falar: "Meu pai é o maior fã de Pink Floyd que existe". Tenho orgulho disso. Acho que ele tem orgulho também que eu goste. Eu teria orgulho que meu filho gostasse de Beatles, ainda que não na mesma intensidade que eu (já que isso é levemente impossível). Mas mesmo eu não sendo digno de falar do Pink Floyd, essa aqui é uma música que me marcou. É do álbum de mesmo nome: "Wish You Were Here" de 1975, cuja capa é uma das mais interessantes que eu já vi e por isso coloquei ela aqui. Segue a letra:





Wish You Were Here
(Gilmour/Waters)

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Vamos à andança...

O Pink Floyd é uma banda única. Como eu disse no post anterior deles, é uma banda que tem merecido respeito. Eu fico impressionado com o cuidado que eles tiveram até na hora de explorar o visual de qualquer material relacionado à eles. Eles adotaram o surrealismo como fonte inesgotável (que ele é) para todas suas capas de álbuns, videos e clipes. Isso é genial, pois as músicas deles são das mais viajantes que podem existir, e a maioria das letras são surreais também. Por isso quando você vê uma capa ou video do Pink Floyd, sua mente viaja mais ainda. Você é levado pelas imagens (como à desse álbum - dois homens de negócios se cumprimentando, só que um deles está simplesmente pegando fogo) e embalado pelo som e sua cabeça dá várias voltas na 4ª dimensão. Sensacional. Experiência única. Mas o curioso é que essa é uma das canções menos subjetivas deles, mas igualmente viajante. Aqui a questão é essa do título: "Queria que você estivesse aqui". A voz de Gilmor, suave e marcante questiona no começo: "Você acha que pode distinguir o paraíso do inferno? O céu azul da dor? Um campo verde de um trilho de aço? Um sorriso de um véu? Acha que pode distinguir?" O questionamento continua, num tom até que acusatório. Porém na última estrofe vemos que as perguntas não são em tom maligno, mas sim meio que uma comparação entre a pessoa à quem o narrador se dirige e à ele próprio, mostrada nos bonitos versos: "Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui... Somos apenas duas almas perdidas, nadando num aquário, ano após ano. Correndo neste mesmo velho chão. O que encontramos? Os mesmos antigos medos. Queria que você estivesse aqui". O que o narrador quer dizer nessa maravilhosa poesia é que ele e a pessoa à quem se dirige são iguais. Que procuram um ao outro e que não há lugar mais certo no mundo para aquela pessoa do que ao seu lado. E essa pessoa muito provavelmente também sabe disso. Sobre a instrumentação não há muito o que falar, além de que o violão é um dos mais bonitos e limpos já gravados e que os pequenos detalhes - como o piano de leve ao fundo, a bateria e o barulho de vento - são o que mais fazem essa música uma experiência única. Única como a pessoa que deveria "estar aqui" ;)

Nunca ouviu?

Como eu queria que você ouvisse. Escute:

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