Leia também!

Animes e suas músicas inesquecíveis

16/02/2017

Há algumas vidas atrás eu fui um fã incondicional de desenhos japoneses, também conhecidos como Animes.

Eu conhecia todos os desenhos que passavam na TV, sabia os nomes dos personagens, suas histórias e super-poderes. Eu os desenhava, pois naquela vida lá atrás eu sabia desenhar bem à mão. Eu tinha também um caderno onde anotava tudo sobre tais desenhos. Cada Anime novo trazia uma série de anotações sobre o criador daquela pequena obra de arte, o horário que passava e trechos importantes da história.


Esse caderno se foi há muito tempo, junto com aquela antiga paixão que me dominava cada vez que eu descobria um desenho novo.

Talvez eu tenha crescido, ou talvez apenas mudado. Ou talvez ainda os próprios Animes é que mudaram e se pulverizaram de uma maneira que costuma acontecer na indústria. Alguém por fim descobriu que dava para lucrar com eles e então os fizeram em série em escala global. Tudo ficou muito rápido e fácil. E tudo perdeu a graça.

Deixei os desenhos japoneses de lado num local carinhoso da memória e, em casa, guardei uns poucos quadrinhos que eu decidi manter por que, estes sim, eram bons demais para serem descartados ou esquecidos.

Mas algo que eu nunca esqueci foi das canções que alguns Animes traziam.


E o poder dessas músicas é tão grande que foi surpreendentemente fácil lembrar das melhores que eu escutei. Para minha surpresa ainda maior eu descobri que ainda sabia quase todas as letras de cor.

Essa é a magia da música. Você simplesmente não esquece uma música boa. Quando chegar a hora certa ela voltará à memória como se nunca tivesse saído dali.

Preparei aqui, então, essa pequena lista com as melhores músicas de Animes que eu consegui lembrar. O critério foi unicamente esse: músicas que apareceram na memória simplesmente por eu querer lembrar de canções de Animes. Julguei que essas canções eram boas o bastante por terem conseguido se alojar na minha cabeça por tantos anos.

Vamos lá ;)

Yuyu Hakusho - Sorriso Contagiante

Yuyu Hakusho é um dos Animes mais divertidos e inspiradores que existe e para nossa alegria foi um dos primeiros a chegar no Brasil. Passou na antiga Manchete e, junto com Cavaleiros Do Zodíaco, foi um dos responsáveis pela explosão da animação japonesa por aqui, algo que logo viraria febre e jamais perderia força. Yuyu traz personagens carismáticos com um entrosamento que poucos melhores amigos conseguem desenvolver vivendo uma história cheia de humor, ação e pancadaria - em outras palavras, tudo que um garoto quer na vida. A dublagem brasileira deu um show à parte e conseguiu captar a essência malandra e bem humorada de Yusuke, Kwabara, Hiei e Kurama. Na música que abria o Anime, muita emoção, principalmente quando o vocalista dizia: "Eu fico louco e a energia e o poder vão crescer". Era ouvir e querer disparar um Laygan na sequência!



Bônus: A original japonesa, chamada Hohoemi no Bakudan e cantada por Matsuko Mawatari é quase tão boa quanto a versão brasileira, ficando atrás unicamente pelo fator nostalgia, afinal quem viu o desenho no Brasil conheceu a abertura em português. Mas fica aí a original sensacional:



Samurai X - Heart of Sword

Diferente do Yuyu Hakusho, Samurai X (ou Rurouni Kenshin) passou no Brasil no Cartoon Network com as canções em sua versão original em japonês. Tanto melhor. O Anime trazia cada pedrada no começo e no fim que era fácil correr para não perder a abertura e ficar assistindo o encerramento com créditos só para curtir as músicas. E o melhor de tudo, quase sempre era um Rock and Roll do bom. Tactics é um exemplo que, de tão boa, ganhou um post exclusivo. Outra paulada de fazer viajar é Heart of Sword o terceiro encerramento do desenho que tinha como enredo a Era Meiji do Japão no ponto de vista de um ex-Samurai. Obra-prima.



Leia um texto especial sobre Samurai X versão Anime e Filme

Berserk - Tell Me Why

Esse não chegou a passar na TV, mas era possível de achar em lojas especializadas. Eu, por exemplo, assisti em VHS graças ao abençoado bairro da Liberdade, em São Paulo. Berserk é uma das obras mais sombrias que já vi. É o Oldboy dos Animes. Chega a ser deprimente e horripilante. Tudo nesse desenho é trágico e podre e pode sempre ficar pior. Game of Thrones é Ursinhos Carinhosos perto da escuridão que permeia o universo de Berserk. Ainda assim, é um desenho formidável, com muita ação, drama e questionamentos filosóficos. A história gira em torno de Gatts, um guerreiro de poucas palavras que busca vingança e luta como um Berserk, aqueles guerreiros nórdicos que lutavam como animais loucos e ninguém conseguia parar. O cenário é medieval, uma raridade nos Animes muito bem explorada aqui. Apesar de toda obscuridade por trás de Berserk, sua abertura na versão animada trazia como trilha um Rock and Roll alegre e revigorante, cantado pela banda Penpals, famosa no Japão por canções de Pop Rock e por fazer a trilha de vários animes. É de ouvir e sacudir a cabeça.



Tenchi Muyo - Talento para Amar

Embora eu adorasse esse desenho que passava na Band, tenho que confessar que, hoje, não entendo muito bem qual é sua pegada. Tinha episódios com lutas de espada super bacanas, mas a maior parte era simplesmente a convivência dos personagens na casa do protagonista: Tenchi. Por alguma razão (provavelmente puro fan service) o cara era o único homem e vivia com dezenas de garotas, a maioria delas apaixonadas por ele e ficavam o tempo todo brigando pelo amor do cara. Ao contrário do que a maioria dos homens no seu lugar faria, Tenchi era um cavalheiro e evitava escolher alguma das moças para não magoar as outras. Muitos dos episódios então seguiam essa linha de comédia romântica adolescente com pequenas cenas de nudez feminina que atraiam garotos nerds carentes. Já disse que adorava esse desenho, não? Talento para Amar era o encerramento e trazia na melodia essa simplicidade e tranquilidade que o desenho tinha para uma boa tarde em casa. A letra é simplesmente fenomenal.



Corrector Yui - Futuro

Eu encarava Corrector Yui como uma cópia malfeita de Sakura Card Captors. Os dois passaram no Cartoon Network e, este segundo, também na Globo, devido ao enorme sucesso que foi. Sakura foi originalmente criado pelo Clamp, um dos importantes estúdios de mangá da história, então não seria estranho que Corrector Yui não tivesse o mesmo carisma e profundidade em sua história. Apesar de faltar algo mais, nunca consegui esquecer a Yui completamente, graças à uma excelente canção de encerramento que fechava os episódios. Confesso que muitas vezes eu esperava ansioso o desenho acabar só para curtir o som da gaita e a melodia de Futuro.



Dragon Ball Z - Chala Head Chala

Esse não poderia faltar jamais. Em qualquer lista sobre melhores Animes ou Mangás, há de haver um espaço para Dragon Ball. Confesso que eu prefiro a primeira saga ainda sem o "Z" no nome, pois naquela época o Goku ainda era criança e o tom do desenho era muito mais bem humorado e divertido. O Z trouxe, junto com a vida adulta de Goku, muita seriedade e pancadaria cada vez mais descontrolada. Aquele papo de "tomar cuidado para não explodir o planeta" nunca me fisgou. Apesar disso não posso negar que, em trilha sonora, Dragon Ball Z é espetacular. Eu poderia facilmente colocar 3 ou 4 canções de Dragon Ball Z como inesquecíveis e, digo sem hesitar que se eu tentar cantar elas todas vou lembrar de, senão tudo, 90% da letra (considerando eventuais erros, é claro, afinal sou velho e cansado). Mas para não exagerar decidi escolher a abertura principal do desenho: Chala Head Chala, uma canção vibrante, emocionante, emotiva, inspiradora, alegre, cativante, poderosa e capaz de te fazer voas pelas nuvens, além de aumentar seu KI em 200 e te fazer levantar as mãos para o Goku finalmente juntar energia suficiente e matar o pilantra do Majin Boo.



Bônus: Versão cantada no The Voice Thailand. Quem assistir isso sem tentar soltar um Kame Hame Ha no final pode passar no cardiologista pois talvez o coração não esteja funcionando direito.

O melancólico fim das lojas de CDs

26/01/2017

Há mais de 10 anos atrás lembro de ter lido uma nota sobre o fechamento da última loja Virtual Music, uma rede de lojas nos principais pontos de São Paulo, incluindo grandes shoppings centers. Quando se preparava para fechar sua última porta, algum diretor ou responsável da marca alegou que o fim da empresa se dava, principalmente, por causa da pirataria e do monopólio de grandes lojas de departamentos que vendiam CDs à preços de banana.

Loja de CDs, uma espécie em extinção

Eu mesmo que já comprei vários discos do ACDC na Americanas à R$9,90 não posso contradizer a pessoa, embora o catálogo desse tipo de loja sempre tenha sido pobre e a Virtual Music tenha sido sempre, na minha opinião, uma loja cara.

Seja como for, nessa década que se seguiu, muitas outras lojas de CDs continuaram existindo e vendendo os discos que ainda teimavam em ser lançados. A coisa, porém, foi inevitavelmente diminuindo até o CD se tornar um artigo de última atenção relegado à algumas poucas prateleiras no fundo de lojas como Fnac e Saraiva. Por algum mistério cerebral do homem, até mesmo o Vinil, remodelado como artigo de luxo para colecionador, voltou a ganhar mais importância e atenção no ponto de venda do que o bom e velho CD.

Lojas de rua dedicadas à comercialização da música foram aos poucos rareando e trocando de atividades, tornando o CD atualmente quase uma exclusividade dos Sebos.

Percebi isso mais do que nunca caminhando outro dia pela Avenida Paulita.

Havia ali, desde que me entendo por gente, no meio de bancos e empresas poderosas, uma última remanescente da Força Musical. Era a BRJ CDs, entre as estações Brigadeiro e Masp. Era ali que eu, sempre que de passagem na frente da loja, parava alguns minutos para conferir os disquinhos e eventualmente levar alguma "oportunidade".

Adepta da estratégia de atrair o povão, os caras da BRJ deixavam sempre um Forronejo ou um Tecnobrega rolando alto na entrada juntamente com uma baciada de CDs meia boca à R$5,90.

Mas era só ter foco e ultrapassar esse campo de força maligno para chegar à sessão de Rock. Os vendedores pareciam até estranhar quem buscasse o gênero, mas a loja era, na verdade, muito bem servida no quesito. Organizados de A à Z como nas melhores lojas, haviam centenas de CDs das mais variadas vertentes. Do metal ao punk. Do pop ao classic. Foi ali que, se não muito me engano, comprei o disco Tattoo You, dos Rolling Stones; o One Hot Minute do Red Hot Chili Peppers e uma coletânea do The Doors, para citar apenas alguns.

A última vítima dos tempos, BRJ

Quem me conhece sabe que, devido ao meu consumo quase compulsivo por CDs, estipulei para mim mesmo um teto de R$20 por álbum comprado. Ou seja todos os discos que comprei na BRJ tinham esse preço "camarada".

Eis que, passando por ali outro dia, percebi que os caras tinham agora uma prateleira de doces na entrada, embora os CDs ainda estivessem lá, mais ao fundo. Com pressa, não pude me dar ao luxo de garimpar discos como sempre fiz, então decidi passar por lá outro dia. Quando consegui, descobri que a BRJ havia se convertido, agora completamente, numa loja de doces - negócio típico na capital paulista, especialmente perto de centros comerciais.

Era, enfim, mais uma guerreira caída vítima dos tempos e das mudanças de mercado.

10 anos depois da grife Virtual Music, a singela BRJ também se foi. Ainda existem umas poucas lojas de CDs em São Paulo, a maioria delas espalhadas pelo centro, como a também clássica Nany CDs, mas o tempo se mostra implacável com quem se dedica à comercializar música. A própria Nany que ficava na Sé já foi muito visitada pela minha pessoa, mas uns anos atrás deu lugar à uma loja de penduricalhos femininos, restando ainda algumas lojas da rede em outros pontos do centro.

Uma das últimas lojas de CDs em São Paulo

Em tempos de Spotify, em que R$20 te dão acesso ao mundo de música e a praticamente todos os CDs de uma determinada banda, fica cada vez mais óbvia a constatação de que álbuns não dão retorno financeiro. Se dão pouco para o artista, menos ainda para o comerciante que nos últimos anos não teve outra opção que não a de fechar as portas e mudar de negócio.

Além de constatar um fim melancólico, ao menos para quem ainda apreciava tirar o plastiquinho e examinar o encarte de um CD novo, a observação sobre o fim das lojas de CDs serve como alerta aos artistas. É, mais do que nunca, tempo de se reinventar e pensar em novos formatos para lucrar. Sem locais para vender discos e obviamente sem ganhar nada com os R$20 da assinatura do Spotify, cabe aos músicos desbravarem as oportunidades que a internet e a tecnologia trazem como financiamento coletivo, auto-financiamento, canais de vídeo, dentre outros.

Talvez o erro tenha sido, como coloca um executivo da Tower Records no excelente documentário "All Things Must Pass: A Ascenção e Queda da Tower Records", que os comerciantes estavam empurrando a venda de CDs inteiros, enquanto as pessoas queriam apenas uma ou duas músicas. Aposto uma caixa de cerveja que a maioria das pessoas que paga R$20 pelo Spotify nunca ouviu um disco completo de uma banda, mas sim várias músicas de inúmeros artistas diferentes, ou mais precisamente, as famosas playlists.

Como o nome diz, Tudo Deve Passar. Até mesmo os CDs

É triste perceber, mas já passou da hora dos artistas esquecerem o formato de lançamento em álbuns e se concentrarem no lançamento de canções que sejam boas o bastante e independam de outras 9 medianas para formar um disco e justificar sua compra.

Agora o bom artista terá que trabalhar em cada música como se ela fosse um álbum. Se possível com conceito, com clipe e com o barulho todo que um disco sempre precisou. O que não se pode é lançar uma música boa e sumir, como as boas e velhas One-Hit Wonders. Aliás, se isso acontecer a chance dessa canção ser uma das mais escutadas no Spotfy num futuro próximo é bastante alta ;)

Documentário conta de forma competente a história do Heavy Metal brasileiro

09/01/2017

Brasil Heavy Metal foi produzido com financiamento coletivo e chegou à nós por pura paixão

Em 2015, Ricardo Micka Michaelis, dono da produtora IdeiaHouse anunciou o projeto de financiamento coletivo para finalização do documentário Brasil Heavy Metal. De acordo com o produtor e músico, o filme já estava em fase de pós-produção e havia sido, até então, idealizado com verbas próprias da produtora. A ideia com a campanha era cobrir os custos finais. Um projeto ambicioso que não poderia ter sido sequer pensado por alguém que não fosse apaixonado pela ideia.


2016: um ano de perdas e de ganhos

30/12/2016

Mais um ano se encerra. Um ano estranho, diferente, certamente duro, mas nem de todo ruim. Principalmente quando ouvimos a música.

2016 está chegando ao fim. Basta ler alguns comentários nas redes sociais para perceber como o ano foi extremamente duro para a maioria do pessoal.

Não é de se estranhar. Patinamos na crise sem sair dela. Trocamos de presidente. As manobras políticas foram praticadas em nível extremo. Trump foi eleito e o dólar subiu.

Bob Dylan, prova de que também houveram coisas boas em 2016.

Para celebrar o Natal: 7 bons Rocks sobre Jesus

24/12/2016

Muita gente sabe que o Natal não tinha originalmente nada a ver com Jesus Cristo. Se você não sabia disso, vou resumir a coisa para que você não fique tão em choque: desde séculos antes da chegada do Filho do Homem, os europeus celebravam o Yule. Uma das festas mais importantes para as crenças pagãs da região, o Yule celebra o solstício de inverno e começava por volta de 21 de Dezembro e ia até os primeiros dias de janeiro. Como nós estamos no hemisfério sul, a data que celebra o solstício de verão por aqui é a Litha.


A associação do Yule com o aniversário de Cristo foi mais um caso do que os historiadores chamam de Sincretismo Religioso, onde tradições diferentes se mesclaram com o tempo.

Apesar dessa pequena nota histórica, é inegável que a figura do Messias esteja fortemente associada ao Natal no mundo moderno. E, sendo o Rock, uma das muitas expressões artísticas do nosso tempo, ele também tem seu punhado de canções de falam de religião, Deus e, mais precisamente, Jesus Cristo.

Pensando nisso, para celebrar o Natal como o conhecemos atualmente, separei aqui alguns Rocks dos bons que falam de Jesus. Afinal nem só de preto, trevas e drogas vive o Rock.

Skid Row - Quicksand Jesus

Uma pérola presente no segundo e mais famoso álbum do grupo que tinha Sebastian Bach nos vocais, Quicksand Jesus tem uma sonoridade madura e pesada. Foi uma das canções que marcaram o posicionamento mais elaborado e pesado do Skid Row ao contrário do Hard Rock rápido e grudento do primeiro disco. Com uma letra profunda, Quicksand Jesus fala sobre um pedido de ajuda direto ao Filho de Deus. De acordo com Rachel Bolan, autor da canção, muita gente achava que a música se tratava da perda da fé, mas era justamente o oposto: agarrar-se em algo para manter-se na batalha. No final da obra, em mais um refrão, Sebastian Bach emociona com os versos: "Areia movediça, Jesus! Estou tão longe sem você. Areia movediça, Jesus! Eu preciso de você, eu acredito em você".



Led Zeppelin - In My Time of Dying

Na minha humilde opinião, umas das Top3 do Led Zeppelin. In My Time of Dying é viajante, progressiva, de ritmo envolvente e poderoso. A bateria do Bonzo é um show à parte e a letra é outro show. Nela, um homem ou muito sábio ou em estado de delírio provocado por substâncias alucinógenas, descreve o que ele prevê para sua própria morte. Isso com direito à enterro, visões celestiais, anjos marchando e, num dos pontos altos da peça, um chamado fervoroso por Jesus, no qual Robert Plant dá um show (embora eu tenha por muito tempo acreditado que ele dizia "Matilde" em vez de "My Jesus")



Doobie Brothers - Jesus is Just Alright

Um dos Rocks mais alegres e conhecidos que falam de Jesus. Está aí para provar que essa parada de música do diabo é conversa de recalcados doidos para terem coragem de se tatuarem e ficarem chapados. Originalmente gravada pelos Byrds, a canção ficou famosa nas mãos dos Doobie Brothers, grupo americano de country rock que conseguiu criar um ritmo dançante e alegre para cultuar Jesus. Sem soar piegas, mas devidamente Rocker o grupo nos convida a cantar: "Jesus, está tudo bem comigo, não me importo com o que eles possam dizer, não me importo com o que eles possam fazer. Jesus, esta tudo bem comigo"



Black Sabbath - After Forever

Aclamados em seus mais de 40 anos de história pelas letras caracteristicamente macabras, o Black Sabbath também sabia fazer canções reflexivas e, vez ou outra falar de Deus. Em After Forever, o grupo cria um balanço como sempre impecável. A guitarra de Tony Iommi permanece fritando ao fundo um ritmo poderoso junto a bateria de Bill Ward. Ozzy declama uma poesia interessante sobre o que há depois da morte. Com versos profundos e reflexivos, o cantor conclui o refrão dizendo "Pessoas deviam saber e não criticar, que Deus é o único caminho para o amor". O fato dos caras terem, apenas 2 discos antes, feito uma canção onde o eu-lírico era o próprio Lúcifer, só mostra o talento dos caras para nos fazer viajar nos mais variados temas, sejam de luz ou de trevas.



ZZ Top - Jesus Left Chicago

Uma bluseira da boa, do começo da carreira do ZZ Top que conta como Jesus saiu de Chicago, seguiu para New Orleans e passou por vários lugares espalhando milagres e inspiração. A letra conclui com versos interessantes: "Você não pode vê-lo, mas ele vai te ver do mesmo jeito. Não precisa se preocupar pois ele sabe cuidar das coisas". Instrumentação de alto nível, como seria de se esperar do ZZ Top, com um background viajante, daqueles de ficar balançando a cabeça e pensando nas estradas e nas eventuais viagens de Harley Davidson na tentativa de encontrar o Filho do Homem.



Ian Gillan - Jesus Christ Superstar

Pouca gente sabe, mas Ian Gillan, vocalista do Deep Purple que emoldurou na história hits como Smoke on the Water e Perfect Strangers (para citar apenas dois e não deixar esse texto mais longo que um livro do Game of Thrones) foi o vocalista da versão em disco da peça Jesus Christ Superstar de 1970. A peça é famosa e muita gente já assistiu no teatro ou até mesmo a versão cinematográfica. Mas poucos tiveram a chance de escutar Ian Gillan arrebentando nas canções do álbum. Escolha perfeita para o papel de Jesus,a final se havia uma voz com nível celestial na Terra, o dono da voz seria GIllan. Gethsemane é uma das amostras do poder do cara justamente no momento mais dramático e triste da história do Messias: o momento de fraqueza em que ele tenta se livrar do fardo que o Pai o imcumbiu.



Jorge Ben - Brother

Se tem um cara que sabe, como ninguém, mesclar música e religião, sem soar forçado, piegas ou cafona, é Jorge Ben. Acredito que tal façanha se deva ao fato do cara ter sempre abordado as mais diversas facetas da fé, e não abraçado cegamente uma única crença. Ben é um sábio e, como bom sábio, sabe que não existe uma única verdade, um único caminho até Deus. Ele criou verdadeiras canções-orações como Jorge da Capadócia e Velhos, Flores, Criancinhas e Cachorros, mas é dele também Errare Humanun Est, preciosidade sobre os deuses astronautas e Hermes Trismegisto e sua Célebre Tábua de Esmeralda, obra-prima sobre alquimia, temas estes que estão entre os preferidos para uma lista negra da heresia elaborada por algum religioso fervoroso. Ou seja, Ben passeia com suingue e maestria por temas aparentemente contraditórios, mas que, no final do tempo e espaço onde só existe Deus, fazem todo o sentido. Brother é mais uma canção religiosa onde o grande Ben declama (dessa vez em inglês) seu amor e respeito pelo mestre dos mestres: Jesus. Melhor verso: "Jesus Christ is My Lord. Jesus Christ is my friend".



Espero que tenham gostado do especial.

Feliz Natal e Tudo de Rock ;)



O dia em que Bruce Springsteen me salvou da morte certa

15/12/2016


Nunca consegui perder por completo o medo de voar.

Já voei até a Austrália e voltei 2 vezes. Somando essas viagens são mais de 80 horas no ar. Ainda assim, de vez em quando eu sinto um medo sinistro de estar literalmente nas nuvens. A coisa simplesmente não entra na minha cabeça. Alguma coisa fica sempre martelando. Repetindo uma lábia primitiva que diz que nós, seres humanos, não fomos feitos para voar. Que nosso lugar é no chão, em terra firme.

Skank: carisma, maturidade e glória

29/11/2016

Banda se apresentou em São Paulo em 26/11/2016. Show foi em comemoração aos 20 anos do disco Samba Poconé

Não é novidade para ninguém que o Skank é uma das grandes bandas brasileiras.

Talvez a maior delas.

Skank em São Paulo, na Audio Club. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

Carolina Zingler e Nuvem, um presente para andarilhos da cidade

12/11/2016

Um fim de tarde frio, tão estranho para a primavera, mas bastante comum para o clima alucinado de São Paulo.

A Avenida Paulista, inevitavelmente cheia como todo santo dia desde sabe-se lá quando, servia de cenário para uma caminhada após o trabalho. Eu com minha esposa íamos andando e conversando. Sem pressa, afinal era sexta-feira. Estávamos só começando a sentir o gosto da liberdade do fim de semana.

No meio da Avenida Paulista, a Esquina do Jazz. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...