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Show dos Novos Baianos. Uma noite de alegria e aprendizado

18/09/2017

Show dos Novos Baianos em São Paulo, 01/09/2017

Muito antes de conhecer o som dos Novos Baianos eu conhecia de nome Moraes Moreira, Baby Consuelo e Pepeu Gomes.

Novos Baianos reunidos. Foto: Divulgação

Sempre fui mais ligado ao Rock. Ou seja, estava sempre rodeado de amigos roqueiros. E como todos amigos roqueiros do planeta, nossa conversa era basicamente sobre bandas, indicações de novas músicas, histórias sobre shows ou onde alguém encontrou um disco raríssimo.

Quando o assunto chegava nas bandas nacionais a coisa ficava feia para mim. Consumidor ferrenho do que vinha de fora, meu conhecimento se resumia a bandas inglesas e norte-americanas. Pior: tudo antigo. A maioria das bandas que eu gostava já tinham acabado há muito tempo. Eu tinha histórias para contar aos amigos, mas se o assunto fugisse daquele limitado círculo, eu passava de contador de histórias à ouvinte.

E nessas audições ouvia vez ou outra o nome de Pepeu Gomes. Não conhecia o cara. Nem sabia que ele tinha tocado nos Novos Baianos. Mas, pelo que eu ouvia, o cara era bom. O descreviam como um semideus da guitarra. O cara que faz o que quer com a música, como diria meu pai.

Pepeu Gomes, o mestre. Foto: Reprodução.

Numa época em que Youtube não passava de uma ideia no subconsciente de algum futuro gênio da internet, eu tinha duas opções: pedir emprestado algum CD do cara ou continuar ouvindo Beatles. Naquele tempo eu ainda era bastante acomodado, confesso, e continuei curtindo minhas bandas de cabeceira.

Muitos anos depois, com o comodismo superado (graças a Deus) por uma curiosidade faminta sobre músicas boas (e não apenas mais Rock, mas de tudo mesmo) acabei finalmente conhecendo os Novos Baianos.

Foi amor à primeira ouvida.

Dei sorte e comecei de cara com o disco Acabou Chorare. Considerado por muitos especialistas como uma obra-prima da música brasileira, o disco é, de fato, uma pérola. Um tesouro diferente de tudo que eu conhecia. Uma alegria pulsante, efervescente que transbordava na poesia cantada com maestria por Moraes Moreira e Baby Consuelo. E a guitarra? Ah, a guitarra. Pepeu era realmente o que meus amigos diziam. Ele não entendia de música. Ele parecia ter inventado a música. Cada solo ou acompanhamento era uma dose de vivacidade indestrutível.

Capa do disco Acabou Chorare, um clássico da música brasileira.

E o mais formidável disso tudo era a mistura. O que eles tocavam? MPB? Bossa-Nova? Samba? Rock? Na verdade eles tocavam tudo isso e muito mais. Até Tango os caras abraçaram. Tudo misturado de um jeito que os gêneros apenas de aprimoram e nunca destoam. Nada parece fora de lugar no som dos Baianos. Tudo é perfeito, redondo e bonito.

E ver isso ao vivo foi mais que um presente.

Não apenas ouvi as excelentes músicas do grupo tocadas ao vivo. Pude conhecer um pouco deles. Pude aprender com eles.

Pude sentir amizade e alegria que permeiam não só as músicas como a própria história da banda, naqueles anos em que eles, despreocupados com o mundo, viviam em comunidade em um sítio. Todos eles, amigos, morando junto e fazendo o que amavam fazer: música boa, de coração.

Ao presenciar ao vivo a perícia de Pepeu Gomes com a guitarra outra lição veio como uma flecha na mente. Afinal ele estava lá. Uma lenda da guitarra. Um cara que dominou plenamente sua arte e dela fez seu ofício. Um cara do Rock que não se prendia à estilos ou gêneros, mas, ao contrário, vivia do que gostava tocando de tudo. Sem preconceito. Sem exigir respeito, mas recebendo-o por onde quer que fosse simplesmente por ser um mestre no que faz.

Novos Baianos ao vivo em São Paulo, 1/9/2017. Foto: Felipe Andarilho

E Baby Consuelo? Se eu já havia há muito tempo me apaixonado por sua voz em canções como A Menina Dança e Tinindo Trincando, qual não poderia ser minha alegria ao vê-la ali? Cantando e dançando, exaltando a mais pura alegria de viver em cada gesto. Exatamente como eu a imaginava quando escutava seus discos.

Um dos momentos mais incríveis da noite foi com a saída temporária de Jorginho Gomes da bateria para assumir o Cavaquinho. Ele nem bem havia secado seu suor e já começou com acordes de Bilhete para Didi, numa versão mais lenta, porém extremamente emocionante. Se no disco a faixa era um exemplo de como os caras dominavam seus instrumentos, ver a música nascendo, crescendo, acelerando e explodindo ao vivo foi uma experiência arrepiante.

A voz de Moraes Moreira não é a mesma. Disso ninguém discorda. Mas o mais interessante é perceber que ninguém estava preocupado com o tom de voz dele. Era tanta energia no palco com o próprio Morais conduzindo um violão delirante que tudo o que o público queria era que aquela festa durasse mais e que cada momento ficasse bem guardado na memória.

Paulinho Boca de Cantor também contribuiu com a viagem sonora deliciosa, emprestando a voz em diversas pérolas, sendo o principal destaque a poética Mistério do Planeta. E falando em poeta, não pode passar batido o fato de a banda reservar um espaço no palco para o compositor da maioria das músicas deles: Luiz Galvão que até soltou a voz em algumas canções e declamou uma bonita poesia.

Mais do que um show, o que vi naquela noite no Espaço das Américas foi uma aula. Um aprendizado completo sobre amar o que se faz sem se preocupar com o resto. Sobre ser quem você é e fazer tudo o que fizer com alegria no coração.

Obrigado Novos Baianos.

Deep Purple e Lynyrd Skynyrd, talvez a última chance de ver essas duas gigantes do Rock

21/08/2017

O Rock não morreu e nem vai morrer. Como tudo ele segue se transformando e se adaptando ao momento do mundo.

Existem diversas bandas atuais criando sons sensacionais. Muitas delas são brasileiras. A diferença é que o Rock não é mais sinônimo de Pop, como já foi há algumas décadas atrás. Bandas que surfaram naquela onda e somaram talento à oportunidade, atingiram o status de gigantes do Rock, fato que dificilmente se repetirá - pelo menos tão cedo. Hoje, tais bandas são classificadas como Classic Rock, justamente por terem deixado marcas profundas na história da música e por terem atingido milhões de pessoas, e não apenas um nicho específico como hoje.

Para quem ainda aprecia o sentimento saudosista da época em o Rock era parte da vida da maioria das pessoas do mundo ocidental - época em que bandas do mundo todo enchiam estádios e rock bares - essa talvez seja a última chance de ver duas gigantes do Rock juntas: Deep Purple e Lynyrd Skynyrd.

As duas bandas vem ao Brasil em dezembro para se apresentarem em Curitiba (12/12), São Paulo (13/12) e Rio de Janeiro (15/12).

Ambas são bandas clássicas, para dizer o mínimo. São grupos que explodiram nos anos 70, lançaram milhares de álbuns e até hoje possuem hits na ponta da língua de todo mundo que se considere um bom ouvinte de Rock.

Deep Purple em formação atual. Foto: divulgação
Deep Purple é sem dúvida uma das maiores bandas da história. Considero-os mais importantes até mesmo do que Led Zeppelin e Pink Floyd, dado o calibre de músicos que passou por ali e o tanto de canções incríveis que o grupo produziu em mais de 40 anos de vida. Não é para qualquer grupo ter tido nos vocais Ian Gillan, David Coverdale e Glen Hughes. Ou nas guitarras Ritchie Blackmore e Steve Morse. Até um maestro já passou por lá: Jon Lord, falecido em 2012. Apesar da constante troca de músicos o entrosamento ali era inegável e o grupo sempre produziu Hard Rock de peso e qualidade além de ter um carinho especial por apresentações ao vivo. A banda tem, inclusive, uma discografia dedicada às apresentações ao vivo, muitas delas foram acompanhadas por orquestras. Coisa fina, de quem entende de música.

Sempre ativo em suas 4 décadas de vida, a banda vem para apresentar seu último disco, InFinite, lançado este ano.

É difícil selecionar as melhores canções dos caras, mas gosto especialmente de Perfect Strangers:



Maybe I'm Leo:



E Sometimes i Feel Like Screaming:



Caso você tenha a oportunidade, ouça o disco InFinite, disponível em Spotify, Deezer, etc. É um dos melhores trabalhos dos últimos anos do Purple.

Lynyrd Skynyrd. Gigantes do Country Rock. Foto: Divulgação
Lynyrd Skynyrd é da mesma época do Purple, porém enquanto o grupo de Ritchie Blackmore explodiu na terra da rainha, Skynyrd é deste lado do Atlântico, mais precisamente do sul dos EUA, região conhecida pelo apreço à música Country.

Tal influência é fundamental na sonoridade do Lynyrd Skynyrd que conseguiu mesclar o som local com o bom Hard Rock que vinha pulsando no mundo. O resultado são músicas que encontraram um raro equilíbrio entre o peso do Rock e a sutileza do Country. Há guitarras pesadas e baterias afiadas, mas há também o jeito tranquilo de ver a vida onde a maioria dos problemas não são páreo para uma tarde no bar com os amigos. Uma grandeza maior que a vida que só quem vive longe dos grandes centros metropolitanos consegue ter.

Resultado são peças do calibre de Gimme Back My Bulltes:



I Ain't the One:



E a obra-prima Simple Man:



Ao longo da vida, a banda passou por diversos percalços, incluindo a morte de boa parte dos integrantes, o que faz a formação atual do ser apenas um reflexo fraco do que um dia foi. Ainda assim vale uma olhada nos caras.

Como eu disse acima, o Rock está em constante movimento, sempre se adaptando ao mundo moderno, sempre se encaixando no formato que as pessoas precisam.

Bandas gigantes não irão mais existir e caras do nível de Deep Purple e Lynyrd Skynyrd serão exceções, e não regra como antes. Portanto, se você nunca viu nenhuma dessas bandas ao vivo, aproveite a chance. Talvez seja a última oportunidade de conferir esses 2 gigantes do Rock ;)

Serviço

CURITIBA
12/12/2017
PEDREIRA PAULO LEMINSKI

SÃO PAULO
13/12/2017
ALLIANZ PARQUE

RIO DE JANEIRO
15/12/2017

JEUNESSE ARENA

Ingressos no site da T4F

De repente 30 e fã de Offspring

27/07/2017

Como 30 CDs excelentes vieram parar no meu colo e me descobri, aos 30, fanático por Offspring


The Offspring. Banda do coração de muitos que curtiram os anos 90. Foto: Divulgação

Algumas pessoas tocam um instrumento tão bem que todos passam a se lembrar dela como referência naquela arte.

O mesmo acontece com quem entende muito de cozinha. Seus amigos e familiares normalmente lembram da pessoa sempre que vêem um filme sobre cheffs começando do zero ou uma receita interessante no Youtube.

Nenhum dos dois é o meu caso. Não cozinho tão bem nem faço mais que arranhar o violão.

Mas eu falo bastante de música. E já algum tempo registro algumas reflexões aqui no blog.

Talvez por isso algumas pessoas lembrem de mim quando veem algo interessante sobre música - mais em especial sobre o Rock. Isso é ótimo. Sem essa gentileza eu certamente perderia um bom punhado de novidades e vídeos divertidos.

Recentemente fui lembrado em mais uma dessas atividades. Uma colega estava se mudando para a Irlanda em poucos dias. Logo um amigo em comum me passou um recado no Zap com aqueles toques de urgência:

- Dá uma olhada no Facebook rápido!


Cair na estrada requer uma boa dose de desapego. Foto: Google.
Olhei e me deparei com uma atitude que equilibrava uma imensidão de tristeza e de coragem.

Ela e o marido estavam se desfazendo de seus CDs.

A vida de quem vai morar fora é assim. Eu sei porque eu fui e até que sinto saudades da época em que todos os meus pertences cabiam um duas malas de 23 kg cada, sem contar o excesso de bagagem.

Eu fui para a Austrália sem saber se ia voltar. Mesmo assim não me desfiz de meus preciosos CDs. Não, pois eu ainda morava com meus pais. E acho que eu não tinha tanta coragem quanto essa amiga.

Ela ia e postou que estava doando os CDs. Pilhas e mais pilha de CDs para quem quisesse pegar. Com a gentileza de nosso amigo em comum fui logo comentando que eu queria dar uma garimpada naquela coleção, talvez tão boa quanto a minha.

Pelas fotos vi nomes que me chamaram a atenção de cara. Alice in Chains, Garbage, Foo Fighters, Nirvana, Pearl Jam, Green Day. Enfim, um paraíso para quem nasceu antes dos anos 90 e viu as últimas décadas de glória do Rock.

Uma das joias que eu não tinha na coleção. Foto: Divulgação.

E vários deles eu não tinha.

Perguntei quando ela ia. Em três dias. Perguntei onde ela morava. Do lado da minha casa. Obrigado, destino.

Fui lá no dia seguinte.

Malas semi empacotadas eram os últimos resquícios de uma casa que já não tinha móveis. Tudo tinha sido vendido ou doado, segundo ela. Tristeza e coragem. E admiração, é claro. A vida na estrada pede uma série de sacrifícios e sorri ao perceber que minha amiga já estava aprendendo aquela lição antes mesmo de cair no mundo.

Vasculhei então a coleção.

Timidamente, peguei selecionei uns 10 discos. A maioria do Garbage e Alice in Chains. Ela me encorajou a levar mais:

- Achei que você ia levar tudo. Pega mais uns, ajuda a gente.

Com esse aval, decidi então pegar mais uns 20. No bolo acabei levando até alguns do Raul Seixas e todos os discos do Alice in Chains e do Offspring, bandas que eu sempre gostei, mas nada além disso. Por enquanto.

Mais uma pérola que não resisti a levar. Foto: Divulgação.

Agradeci imensamente e me despedi dela e do marido. Desejei-lhes sucesso por onde fossem. Tudo ia dar certo na estrada. Eu sabia, pois já a tinha percorrido algumas vezes. Até hoje, confesso, ainda ouço ela me chamando em determinadas noites e covardemente finjo que não é comigo. Vai haver um dia, eu espero no fundo do coração, em que eu não vou mais conseguir me fazer de surdo. Não vou mais conseguir fingir. Mas até lá vou ouvindo minhas músicas por aqui mesmo.

E quantas músicas novas-velhas para ouvir.

30 novos CDs. A maioria praticamente zerados. Passei os dias seguintes escutando-os um a um. Saboreando cada novo álbum que eu não conhecia ou nunca tinha ouvido inteiro.

Então chegou a leva do Offspring.

Para aquecer coloquei o primeiro, Smash, um disco que eu já tinha em formato digital e que adoro. Excelente como sempre, ainda melhor no CD do que no computador. Gotta Get Away e Self-Esteem nunca soaram tão vivas nos meus ouvidos.



Depois que o disco acabou, coloquei um dos últimos deles, Rise and Fall, Rage and Grace, que eu nunca tinha ouvido sequer uma canção. Me surpreendi com pauladas boas e rápidas e duas ou três canções no estilo mais rock-grudento que eles aprenderam a fazer tão bem. Ótimo.

Em terceiro lugar veio The Offspring, primeiro álbum deles, de 1989. Explosivo e bastante cru resultou numa audição boa, mas nada excepcional. O mesmo aconteceu com Ignition, o segundo álbum deles cheio de energia e boa vontade. Sem dúvida uma repetição de cada disco me faria descobrir novas camadas de percepção, mas ainda haviam outros discos para ouvir então continuei na sequência.

Foi aí que a coisa começou a ferver. Coloquei Ixnay on the Hombre, o disco que sucedeu Smash, até então meu preferido. O resultado não podia ser outro. Explosões e mais cacetadas na orelha com sonzeiras boas, suculentas. Coisas finas e bem feitas. Deliciosas de ouvir. Que disco! Ouvi três vezes seguidas e passei para o próximo.



Veio então o Fatality.

Sem misericórdia.

O belo golpe na minha pobre mente ainda não tão cansada de novas sonoridades veio com Conspiracy of One.

Logo no começo relembrei tempos de adolescente com Original Prankster. Não resisti a repetir a pérola e enviar um trecho ao meu irmão que também era fã da canção. Aliás se eu gostava um pouco de Offspring foi por causa dele de quem herdei (para não dizer surrupiei os discos Americana e Splinter que tenho até hoje). O mínimo que eu podia fazer era embalar e enviar à ele aquela pequena pérola de juventude eterna e rebelde. O cara gostou.

O disco seguiu com Want You Bad, outra pedrada boa que eu gostava e não lembrava, e explodiu minha cabeça de vez com Million Miles Away, uma música que eu tinha enterrado na memória há muito tempo. Estava lá, semi-esquecida, mas foram necessários apenas 3 segundos para que ela se redescobrisse inteira. Eu sabia a letra. Sabia o ritmo e não consegui me conter. Ouvi várias e várias vezes sempre gritando entre os versos do refrão.



Percebi que aquilo era uma das coisas que eu mais gostava no Offspring. Os gritos. Urros de guerra, bem colocados e que duelavam com a guitarra pesada ou com o vocal principal.

Percebi que gostava muito de Offspring. Gostava das pedradas, do ritmo acelerado e do Punk-Rock moderno que permeou minha adolescência junto com Green Day e Rancid. Onde eu estava naqueles dias que não ouvia Offspring, salvo quando meu irmão colocava o bom e velho Americana para tocar?

Me descobri, enfim e há 1 mês de fazer 30 anos que eu era um grande fã de Offspring.

Foram só uns 15 anos de atraso.

Mas antes tarde do que nunca, é o que dizem os sábios.

Se a banda durar mais 15 com certeza terá aqui um novo-velho fã ;)

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Obrigado Talita e Bruno pelos CDs. Vou cuidar bem deles. Vida próspera e música boa em qualquer estrada que vocês pegarem!

Obrigado Newton pelo aviso no Zapzap.

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