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[CONHEÇA] Riffcoven lança seu disco de estréia

20/02/2018


Primeiro lançamento do duo Jundiaiense formado por Reverendo Bode (da excelente Gasoline Special) e Old One, gravado, mixado e masterizado no Bimini Studio por Bruno Fornazza, com parcipação especial de Gabriel Pereira no Sitar Indiano.

Com o objevo de tocar música pesada e cantar sobre mitologia, fantasia e horror, Rev. Bode e Old One criaram o Riffcoven, e meses depois de diversos “RITUAIS –JAM” levaram esses primeiros experimentos para serem invocados no estúdio e o resultado é Crown Of Darkness.

Da combinação de diversas influências surgiu uma massa sonora de riffs e tensões cósmicas que é a trilha perfeita para embarcar numa jornada pelo mundo hiboriano ou pegar uma carona nas sagradas vimanas do passado.

Riffcoven disponibilizou o disco Crown of Darkness em formato digital nas plataformas Bandcamp e
YouTube. E atualmente está em busca de um Selo que tenha interesse em lançar esse trabalho.

Site da Banda
https://riffcoven.bandcamp.com/

Disco no Youtube
https://www.youtube.com/watch?v=Qoc-qWlInzc&t=433s

Tinariwen Mostra que Não Sabemos Nada do Mundo

30/01/2018

Há alguns meses li no excelente blog do Barcinski sobre os melhores álbuns que ele ouviu em 2017.

Dentre a lista figurava um nome um tanto quanto diferente: Tinariwen.


O jornalista descrevia o som do grupo como um blues desértico, "uma música hipnótica e lúdica".

O que mais me chamava atenção, devo confessar, era a vestimenta dos integrantes. Todos enrolados em panos e turbantes, tocando guitarras no meio do deserto. Mas que diacho seria aquilo?

Trata-se de uma banda do Mali. Se você como eu não sabe de cabeça onde fica esse lugar, já adianto: continente africano, hemisfério norte. Bem no meio do calor e muito próximo do Deserto do Saara. Daí a aparência nômade do grupo. Coisa que eu só tinha visto em filmes de aventuras, tipo Indiana Jones.

Como sempre atraído pelo que é diferente, decidi ouvir as canções sugeridas no post. Não demorei à me inspirar pela absurda qualidade musical. Parti então para os discos inteiro e para os vídeos.



Que música esses caras fazem! E que viagem é assistir os vídeos da banda.

Prepare-se para ser transportado para outro mundo. Prepare-se para entrar num portal e sair do outro lado onde tudo é diferente e onde toda beleza se resume à uma simplicidade de viver a vida.

Um mundo onde cavalos são substituídos por camelos. Ruas movimentadas dão lugar ao perigoso e místico deserto.

Canecas de cerveja são substituídas pelo café e o tão confortável inglês é trocado pelo bambara.

Ouça e deixe-se levar. Siga as miragens da sua mente e adentre um deserto de sons, viagens e sentimentos. Não tenha medo. A viagem valerá a pena. Disso você pode ter certeza.



Quando achar que está perdido demais, é que a coisa fica melhor. É aí que as guitarras surgem pesadas, fazendo um equilíbrio impecável com a tranquilidade do batuque e da voz.

É o tipo de som para se ouvir, se possível sentado numa poltrona bem confortável, com a cabeça encostada, no gatilho para sonhar. Uma postura que te permita flutuar. Pirar.

Tinariwen. Uma banda do Mali que só veio aqui para te mostrar o quanto o mundo é grande e bonito e questionar por que ainda cismamos em ignorar a maior parte do que ele tem para oferecer.

Não sabemos nada do mundo. Mas com Tinariwen agora sabemos um pouco mais. Que eles nos inspirem a adentrar o deserto do desconhecido e provar os néctares misteriosos que ali encontrarmos ;)

Terra Celta celebra as diferenças em show impecável

22/01/2018

Banda se apresentou no Sesc Belenzinho, em São Paulo, dia 19/01/2018


Terra Celta no Palco do Sesc Belenzinho. Foto: Felipe Andarilho


Que época, essa nossa, para se estar vivo.

Você e eu que estamos aqui de pé em pleno 2018 podemos nos gabar de que presenciamos o auge da humanidade e todas as suas vastas possibilidades.

E a banda Terra Celta subiu ao palco do Sesc Belenzinho para deixar isso bem claro.

Afinal, em que outra época da história você, apreciador da cultura medieval, poderia ver um grupo musical tocando com maestria um tipo de canção que você só conseguia ver em filmes? E ainda por cima em português.

Sou fã do cenário medieval desde garoto. Pirava em filmes e livros sobre essa época. Cresci lendo Tolkien, T. H. White e Bernard Cornwell. Encontrava nessas histórias coisas que esse mundo já não tinha: honra, coragem, amor sincero e brigas de espada.

Era bom estar em contato com tudo que fosse medieval. Mas quase sempre minha fonte de informação ficava limitada ao mundo literário ou cinematográfico.

Em termos musicais, minha sede medieval era saciada basicamente com a trilha sonora de jogos como Zelda e Chrono Trigger. Quando conheci a banda espanhola, Mago de Oz, a coisa melhorou um pouco. Mas era só. Eu não tinha onde buscar novas sonoridades nem quem me apresentasse canções do tipo.

Pensar que hoje posso contar com bandas brasileiras à distância de um clique e fazendo aquele som que me transporta para os cenários mais bonitos da Escócia e Inglaterra me faz repetir com gosto: que boa época para se estar vivo essa em que o mundo ficou mais próximo e acessível.

Conheci a Terra Celta há mais ou menos 1 ano enquanto pesquisava sobre Hidromel na internet. Caí num site que comentou sobre um show deles, bastante elogiado, por sinal. Não demorei a procurá-los no Deezer.



Não é preciso dizer que foi amor à primeira ouvida.

A partir daí tentei ir em seus shows algumas vezes. Com a agenda lotada, a banda de Londrina não vem para São Paulo com tanta frequência, mas consegui finalmente encontrá-los na última sexta-feira.

A comedoria do Sesc Belenzinho estava lotada. Famílias inteiras vieram curtir o som e, a julgar pela quantidade de gente dançando em todo o salão, é fácil supor que aproveitaram bastante a noite.

Não foi por menos.

Logo nas primeiros segundos o grupo ofereceu uma incrível canção instrumental. O som era pesado e viajante. Nas mãos dos integrantes da banda, instrumentos clássicos do Rock como guitarra e baixo se mesclavam com outros de época como violino e viola de roda (suponho, posso estar enganado). O grupo ainda viria a usar flauta, bandolim e até mesmo gaita de fole em outras canções, dando um show de versatilidade e talento.

Outra das habilidades da banda está no carisma. Cada músico passou a maior parte do tempo sorrindo, apreciando o que fazia e, simplesmente, feliz por estar ali, em outra cidade, com a casa cheia e animada. Glória essa que, infelizmente, poucas bandas independentes alcançam.

Mas não há som que levante o público se não houver uma boa energia por parte da banda, em especial de seu frontman. Por sorte, esse papel é encarnado por um cara extremamente simpático, que não cansava de agradecer ao público pela presença e aos astros pela oportunidade. Sua voz também combina bastante com o estilo musical, declamando poesias rápidas e certeiras.

Terra Celta fazendo o público pirar com suas canções medievais abrasileiradas. Foto: Felipe Andarilho

E é aí que está outra pérola da banda.

Escondida em sua poesia que usa, vez ou outra, sotaque caipira, está a habilidade de falar sobre diferenças e fazer críticas de forma inteligente e bem humorada.

É em canções como Quadrado e O Porco que você percebe como poderíamos ser mais felizes simplesmente respeitando o espaço do outro. Como eles dizem em Arrigo's History, que conta a história de um brasileiro simplório que vai para a Escócia: "aqui tem um homi usando saia e uns carro na contra-mão".

Com Terra Celta a lição que fica é essa: o mundo é assim, feito de diferenças. Podemos escolher implicar com elas ou podemos aprender com elas.

O show foi inteiro impecável, mas faço questão de destacar ainda alguns pontos como a execução da canção Gaia (o clipe dela é sensacional, confere aí embaixo) em que o grupo faz um importante alerta para a preservação do ambiente. Impossível ouvir e não refletir sobre como a humanidade pode ser grandiosa e, ao mesmo tempo, tão pequena e mesquinha.



Outro ponto espetacular foi uma homenagem repentina à Dolores O'Riordan, dos Cramberries, encontrada morta no último dia 15. Em meio a um trecho instrumental, a banda emendou o refrão de Zombie. Simplesmente arrepiante.

No final, para fechar a noite com ainda mais surpresas especiais, o grupo pediu que o público abrisse uma roda e desceu do palco para tocar ali. Ficaram então circulando e tocando seus instrumentos com o público vibrando em volta, numa viagem medieval surreal.

Faço questão de destacar também a sempre excelente administração do Sesc. Sou fã do clube e vários dos meus shows preferidos foram em alguma de suas unidades. O espaço do Belenzinho é sensacional, amplo e agradável. Haviam ali idosos, crianças e até bebês com seus pais curtindo a noite, convivendo felizes com quem era mais fã da banda e estava em pé cantando e dançando.

Nada menos condizente para um show de uma banda que preza pelas diferenças, respeito e apreciação da vida em todos os detalhes ;)

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