Mais um livro do Andarilho

Meditando no Banheiro, meu novo livro será lançado no final do mês

18/05/2017

Isso aí, você leu direito!



No final deste mês será o lançamento do meu segundo livro.

MEDITANDO NO BANHEIRO chega exatamente 2 anos após o lançamento do meu primeiro livro, Heróis e Anônimos que, modéstia à parte, recebeu boas críticas dos leitores.

E foi justamente por eles, meus leitores, ou em outras palavras, amigos e familiares, que decidi continuar escrevendo de forma independente. Meditando no Banheiro será lançado no dia 27/5, sábado, e você, leitor do blog Músicas de Andarilho é, mais uma vez, convidado à participar desse momento.

Decidi continuar na escrita porque, além de gostar da atividade, fui convencido por bons amigos a manter o ritmo. Não viso fama nem viver como escritor, mas se um hobbie pode se sustentar e levar alguma mensagem positiva para as pessoas, então por que não?



Sobre a obra

O destino gosta de jogar com as pessoas. É preciso saber lidar com ele. Não se pode ignorá-lo, nem lamber as bolas dele. É preciso ser frio. O sábio reconhece a força do destino. Não luta contra ela, mas não espera nada realmente. Às vezes ele te leva para o outro lado do mundo para te mostrar algo que estava embaixo do seu nariz. Às vezes vira sua vida do avesso sem ter nada para dizer de concreto.

Quando era garoto, Roberto escapou até a praia e passou algumas horas em contemplação olhando o mar. Naquele dia qualquer, era só ele, o sol e o som do vento sobre as ondas. E o Faísca, é claro. O cão vira-lata e sujo chegou do nada e deitou no pé do menino. Por um momento que poderia ser uma vida, os dois ficaram ali em silêncio. Um lapso de entendimento numa vida enigmática. Da mesma forma que chegou, o cachorro se foi. Simplesmente levantou e foi embora. O bastardinho nem olhou para trás. O garoto cresceu e nunca parou de procurar pelo cão. Talvez seja pura infantilidade. Ou talvez, Roberto saiba, de algum modo, que o Faísca está por aí, em algum lugar. Ele só precisa encontrá-lo.

Não preciso nem dizer que essa jornada vem regada à muito Rock and Roll, né?


Te espero lá!

Se interessou por essa épica odisseia da vida cotidiana escrita em formato de crônica etílica? Então nos vemos no lançamento!

Data: 27/5
Hora: A partir das 17h
Local: Bar Jacaré Grill, Rua Harmonia 305, Vila Madalena, São Paulo
Não paga para entrar. Paga-se apenas o que consumir no bar.
Preço do livro: R$39,00
Pagamento em dinheiro, cheque ou transferência online.

Saiba mais

Meditando no Banheiro já está à venda no site da Editora Multifoco. Então se você não pode ir no lançamento, mas quer ler, pode comprar online clicando aqui.

Caso queira comprar meu primeiro livro, Heróis e Anônimos, clique aqui.

Assim falou Santo Tomaz de Aquino

12/05/2017

Desabafo do autor:

Caramba! Nunca consegui me dedicar tão pouco ao meu bom e velho Músicas de Andarilho. Mas a falta de tempo para essa atividade revela que estou ocupado com outros projetos, o que é um bom sinal. Em breve vocês ficarão sabendo de mais uma novidade bacana!

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Vamos à andança...

Mestre Jorge Ben traz mais uma canção elucidativa

Faz muito tempo que quero falar sobre essa canção.

Ela é do mesmo disco do Jorge Ben onde está a pérola sagrada Velhos, Flores, Criancinhas e Cachorros, uma das minhas músicas preferidas da vida, a qual uso como oração quase todos os dias. Mais precisamente, ela antecede essa obra, o que é ótimo, pois vai preparando o terreno para o papo mais intimista e religioso com ninguém menos que Deus do Céu.

Assim Falou Santo Tomaz de Aquino é, como muitas canções dessa fase de Jorge Ben um tanto quanto mística. Mas, diferente do mantra que segue ou da clássica Jorge da Capadócia, essa canção não é bem uma oração. É mais um exercício de filosofia. Se no disco Á Tábua de Esmeralda ele usa a filosofia para analisar a Alquimia e os Astros, aqui ele usa a ferramenta dos sábios para nos ajudar a entender nada menos que Deus do Céu.




Aliás, "ajudar a entender", pode soar um tanto contraditório. O que ele faz na verdade é nos ajudar a entender que Deus é inintendível. Conforme a canção avança, Ben explica, com as palavras de Santo Tomaz de Aquino - grande pensador e teólogo que, apesar de Santo, não se prendia à amarras da Igreja. Ele começa:

A semelhança da criatura com Deus é tão imperfeita
que não chega a ser um gênero comum, comum

Pode soar complicado, ainda mais com os versos que seguem, mas parando para a analisar fica fácil.

Deus é um ser Supremo. Todo Poderoso. Onipresente e Onisciente. Certo? Já nós, pobres humanos somos exatamente isso: humanos. Temos uma série de qualidade que, tenho certeza, deve fazer Deus se orgulhar, sendo a principal delas a razão. Mas mesmo usando todo nosso poder de raciocínio, algo que jamais vamos entender por completo é essa tal Onisciência e Onipresença. A final, como é saber tudo e estar em todo lugar ao mesmo tempo? Podemos ter uma ideia do conceito, mas jamais (pelo menos não enquanto não atingirmos a iluminação) saberemos como é a sensação de onipresença e onipotência.

Capa do disco Solta o Pavão, de 1975. Foto: Reprodução

Outros versos da obra dizem:

Deus não é uma medida proporcionada ou medido
Por isso não é necessário que esteja contido
No mesmo gênero da criatura

Esse é o ponto.

Deus é Deus. Homem é Homem. Temos limitações intelectuais que não nos permitem compreender diversos mistérios. O universo. A beleza da vida. O número Pi. É por isso que jamais poderemos dizer com certeza qualquer coisa sobre Deus. Tudo que podemos fazer são, como ensina a filosofia, conjecturas e hipóteses, mas nada é 100% concreto nessa vida.

Ilustração de Gustavo Dore sobre a Divina Comédia. Momento em que Dante visualiza Deus. Ótima forma de ilustrar a magnitude e complexidade do Pai. Foto: Reprodução

Dessa forma cai por terra qualquer definição que fazemos sobre Deus. Podemos dizer que Ele é homem velho de barba branca. Que Ele mora num castelo no céu cercado de anjos. Que Ele tem um globo onde vê todas nossas ações e depois nos julgará com base nelas. Parando para pensar um pouco esses conceitos se revelam um tanto infantis. Não temos culpa, porém. Diante da magnitude e complexidade do Pai, é isso que somos. Um bando de crianças inocentes que ainda não sabe nada da vida.

Você deve ficar chateado com isso?

Claro que não. Primeiro por que estamos aqui para aprender. E reconhecer a própria ignorância é o primeiro passo para um aprendizado sincero e eficiente.

Segundo porque parte da beleza Divina é a Fé. É aquela relação de confiança que você tem com Deus que, como muita coisa no mundo, não tem uma explicação final. Você simplesmente confia. E as coisas dão certo de um jeito ou de outro. Você não precisa entender Deus como uma equação matemática. Você talvez não entenda sobre ondas de calor e raios UV, mas sente o sol e confia nele para secar suas roupas ou para energizar seu corpo. Você não necessariamente entende de botânica e células, mas quando as flores bonitas nascem no seu jardim você acredita que há algo por trás daquilo.

Com Deus é o mesmo. Não tenha pretensão de entendê-lo como um livro. Não acredite em quem diz que recebe Dele instruções exatas como um e-mail no computador. Ele está muito acima disso. Você pode senti-lo e talvez até ouvi-lo. Mas provavelmente não será com palavras que Ele irá lhe falar.

Ben completa:

Por isso dobro os meus joelhos
Diante do pai de nosso Senhor Jesus Cristo
Do qual toda sua sábia paternidade
Tomou nome nos céus e na terra
Assim falou Santo Tomaz de Aquino


Fé. A graça de acreditar em Deus mesmo sem entendê-lo.

E o melhor de tudo. Toda essa poesia belíssima vem com um ritmo gostoso, suave e animado. Como tudo o que Ben faz é uma arte de mestre, ele usa o violão para criar o ritmo bonito que conduz a obra. Ele encerra ainda com um refrão maravilhoso:

Senhor Tu tens tido feito o nosso refúgio

E deixa a lição para nós refletirmos. Mesmo que você não entenda por completo Deus, confie Nele. Viva com Ele. Inspire-se Nele e seja feliz ;)

Abundância e Impaciência: o que 3 meses de Spotify me mostraram

08/04/2017

É legal perceber como as pessoas estão atualmente dispostas à pagarem por serviços que consideram bons e acessíveis.

Dei uma chance ao Spotify. Veja como foi a experiência

Talvez seja devido ao aumento do poder de compra. Ou talvez seja o aumento da consciência. Ou ainda talvez o motivo seja que não havia esse tipo de produto no mercado naquela época. Gosto de pensar que é um pouco de cada. Vivemos e aprendemos. A internet ainda é uma criança e, como tal, não cansa de nos surpreender com sua constante evolução e madurez.

Lembro quando eu era garoto do Napster. Era o sonho que todo adolescente (e adulto, acredito) tinha: um local para ouvir qualquer música do mundo de graça. Você não precisava mais ir à uma loja e gastar um bom punhado de reais num CD nem esperar dias e mais dias para ouvir aquela canção especial no rádio e torcer para gravá-la numa fita K7 sem que o locutor falasse o nome da emissora no meio do solo.

Napster. Mesmo ilegal, fez a alegria de muita gente nos anos 90.

O Napster foi, sem dúvida, uma revolução. Foi ilegal, é claro. Nada tão bom quanto aquilo poderia ser de graça. Mas ainda assim fez sua parte na contribuição para que muita gente pudesse ter acesso às músicas que apreciava. Durou pouco, mas abriu caminho para o Kazaa, Morpheus, Emule e dezenas de outros softwares voltados para compartilhamento de arquivos.

Querendo ou não a porteira havia sido aberta. A partir daí passou a tornar-se cada vez mais difícil parar a pirataria. À cada dia novos arquivos, discos, filmes, livros e softwares eram disponibilizados. Com a criação de sites específicos para upload e download de arquivos como Mediafire, Megaupload e Rapidshare a coisa ficou ainda mais prática. Não era preciso mais um software, apenas um link possível de ser aberto em qualquer navegador.

Netflix. Barato e simples, deu um drible na pirataria.

Demorou uns 15 anos, mas as grandes corporações da mídia finalmente aprenderam a contornar a situação. A resposta, na verdade, estava mais próxima do que eles podiam imaginar: por que elas mesmas não disponibilizavam o conteúdo por um preço mais aceitável? Assim fizeram. E não é que a coisa deu certo? Enquanto quase ninguém mais estava disposto à pagar R$20 em um CD ou R$8 num aluguel de filme, a solução foi cobrar um valor quase simbólico e deixar à cargo do consumidor a escolha sobre o que ele queria de verdade.

Assim nasceu o Netflix. Pelo preço de 2 filmes alugados no mês, o cliente tem à disposição mais de 1.000 títulos.

Assim nasceu o Spotify. Pelo preço de 1 CD no mês, o cliente tem à disposição milhões de músicas.

O sucesso dessas plataformas só mostra que o público estava sim disposto à abrir mão da pirataria, desde que o preço fosse honesto.

Demorei para aderir ao Spotify, principalmente por eu ter em casa uma coleção de CDs suficiente para meses de audição sem repetir. Talvez eu nunca tivesse assinado o programa se não fosse uma promoção que eles fizeram. 3 meses de Spotify por R$2 ao mês. Como perder? Resolvi então testar a plataforma.

Como Sam Tarly do Game of Thrones na Biblioteca da Cidadela. Foi assim que me senti nesses 3 meses de Spotify.

A primeira coisa que percebi foi que o acesso às músicas é praticamente ilimitado. Há abundância de canções é realmente estonteante. Com exceção de 2 ou 3 bandas que não encontrei, todas as outras tinham lá sua página com informações e discografia quase completa. Para quem gosta de descobrir bandas o Spotify é um prato cheio. Servindo como ferramenta para divulgação de bandas menores, o programa torna-se um porto seguro para que essas bandas tenham seu material publicado e que os interessados os encontrem e sigam suas atividades. XYZ e Big Cock são exemplos de bandas das quais antes eu achava canções com certa
dificuldade, mas, graças ao Spotify, pude conferir não só os discos que já conhecia, mas outros pedaços maravilhosos de suas discografias.

Até mesmo meu caro Jack Johnson tinha lá alguns trabalhos que eu não tinha conhecido. Nomes brasileiros como Tim Maia, Jorge Ben e Novos Baianos também foram muito explorados pela minha sede de música boa e, por meio da ferramenta, descobri várias canções e álbuns que eu nunca tinha tido a oportunidade de ouvir e talvez nunca tivesse acesso, não fosse por ali.

Nem tudo são flores no Spotify, porém. Nos 3 meses em que degustei o produto não foram raros os casos em que não encontrei uma canção específica. Acredito que eu seja exceção e não regra no público do Spotify. As pessoas o assinam para ter música boa à mão de forma fácil e rápida. Não à toa há dezenas de listas prontas que fazem muito sucesso. Raros são os usuários que buscam uma música em especial. Mas é o meu caso e, vez ou outra, me vi nessa situação de ter que fechar o programa e recorrer ao bom e velho Youtube ou ainda ao meu bom e velho HD para ouvir uma pérola que, por algum motivo, não estava no Spotify.

E foi assim que me senti ouvindo uma música não tão boa no Spotify.

Outra reação curiosa que desenvolvi enquanto mergulhava no oceano musical do programa foi que passei a me tornar mais impaciente.

Por anos fui acostumado à ouvir discos inteiros. Quando quero ouvir uma artista, normalmente quero ouvir um álbum dele e não apenas uma música. É um hábito velho de quem ouve muito CD. Com a abundância do Spotify, porém, me tornei menos paciente, mesmo com as melhores bandas. Enquanto ouvia um disco, bastava uma canção não tão boa para, ao invés de esperá-la terminar ou pulá-la e continuar com o álbum como sempre fiz, eu passava a mudar de artista. Me irritava facilmente com canções mediana e ia da água para o vinho com facilidade. Bastava digitar o nome de uma nova banda e, pronto, a trilha estava renovada.

Isso não torna o Spotify uma experiência melhor ou pior do que ouvir um álbum no aparelho de som. É apenas uma característica da ferramenta. Com tanto à disposição você não quer perder tempo com algo na média. Você só quer o filet mignon. A sempre presente lista de 5 mais tocadas de cada artista ilustra bem o ponto. Oferecer acesso a milhões de músicas é apenas um chamariz. O produto real que o Spotify vende é que lá você vai ouvir as músicas mais populares, as modinhas da vez e as clássicas de todos os tempos. Raros são os que irão mais à fundo do que a primeira camada do Spotify. Uma pena, pois, como relatei acima, há muito ali à ser encontrado e desfrutado.

CDs. Um amor difícil de matar, pelo menos no meu caso.

Ao fim do período promocional pensei muito se devia ou não manter a assinatura, agora pelos padronizados R$19,00 ao mês. O preço de 1 CD por mês. Confesso que fiquei tentado, mas no fim das contas, acho que ainda prefiro 1 CD novo por mês. Pode ser um hábito velho, mas é uma rotina da qual gosto. Ouvir o disco inteiro. De ponta a ponta. Ler seu encarte. Ver as fotos do grupo tão cuidadosamente tiradas. Conhecer cada detalhe do trabalho daquela banda que tanto aprecio. Ouvir as canções que ninguém sequer vai chegar a ouvir, mesmo elas estando lá, disponíveis no Spotify e implorando por uma audição. E quem disse que preciso pular uma faixa ruim? O álbum é um trabalho completo e, mesmo ruim, aquela faixa merece pelo menos uma audição. Talvez eu descubra, umas 5 escutadas depois, que ela não era assim tão ruim. Cansei de constatar isso na vida. Aliás, cansei de constatar como músicas que eu aparentemente não gostava se tornaram minhas preferidas depois de um tempo. É esse o poder do álbum. Como um bom livro ou filme ele não te deixa repetir a história só porque você o assiste pela segunda vez, mas te faz conhecer uma nova história em cada repetição.

Ainda assim, não acredito mais que os álbuns ainda sejam o formato correto para os artistas. Os tempos mudam. Está aí o Netflix e o Spotify para mostrar que a pirataria pode ser amigavelmente substituída pela honestidade. E se o público quer apenas hits, é nos hits que as bandas devem focar. Caso contrário as faixas restantes do álbum estarão fadadas ao desconhecimento eterno num oceano de músicas das quais algumas são certamente boas e outras precisam de uma chance à mais ;)

Tem graça ir no show do Metallica 5 vezes?

28/03/2017

Qual o segredo do Metallica (e outros nomes do Metal) que batem cartão no Brasil?

Outro dia eu estava aqui trabalhando e, como acontece muitas vezes, estava ouvindo a Kiss FM. Na ocasião quem comandava o programa era o locutor Rodrigo Branco. Admiro bastante o trabalho do apresentador e, em geral, gosto de muitas observações que ele faz sobre o Rock e a música em si. Entretanto, um comentário que ele fez me chamou a atenção.

Metallica, o favorito dos festivais mercenários. Foto: Divulgação

Enquanto lia mensagens de ouvintes e falava sobre algumas atrações do Lollapalooza 2017, o locutor fechou com a seguinte frase: "Bom, estarei lá para ver o Metallica. De novo".

Não é novidade que o Metallica é a menina dos olhos dos organizadores de grandes eventos musicais no Brasil. Antes uma pérola do Rock in Rio, o Metallica foi agora "descoberto" pela organização do Lolla. Contando com essa aparição neste ano, o grupo de James Hetfield e companhia já visitaram o Brasil nada menos que 9 vezes. Nos últimos 6 anos a banda esteve no Brasil 5 vezes. Como uma namorada ciumenta, os caras não dão nem tempo da gente sentir saudades.

Chutando que esses 5 últimos shows não foram compostos exclusivamente por pessoas novas, posso concluir que boa parte do público é como o meu caro apresentador Rodrigo Branco, que está vendo seus ídolos de novo. E de novo.

E não vou nem entrar no mérito dos preços dos ingressos. Não ainda.

(Mas você pode ler algo sobre isso aqui)

Hardwired... To Self-Destruct, o último e muito bom disco do Metallica. Foto: Reprodução

Não tenho nada contra o Metallica. Aliás você pode reler esse texto substituindo o nome da banda por Iron Maiden, Slipknot, dentre outros favoritos de eventos que dá no mesmo. Na verdade, até gosto bastante do Metallica. Acho os caras bons, estão sempre na ativa, se preocupam com inovações (nem sempre vistas com bom olhos, infelizmente) e possuem uma presença de palco inegável. O ponto que eu quero chegar é: essas bandas são boas? São. Não tem mais nada para provar? Não. São lucrativas? Sem dúvida. Mas será que eles precisam marcar presença em todo grande evento obrigatoriamente? De acordo com o público, parece que sim. Mas afinal, qual a graça de ver um show do Metallica 5 vezes? Por que não pensar em outros nomes que poderiam trazer não apenas grande público, mas uma novidade de fato. Ok, tudo bem. Bandas que enchem estádio com garantia vitalícia como Red Hot Chili Peppers, Bon Jovi, U2, Roger Waters, Paul McCartney, Aerosmith e Guns'N'Roses já vieram ao Brasil incontáveis vezes. Mas qualquer uma delas veio menos vezes que o Metallica. Seria o bastante para considerarmos uma novidade. Então por quê insistir tanto neles?

Talvez eu me pergunte isso porque não sou aquele fã alucinado pelo Metallica. Na minha coleção de mais de 400 CDs, não tem nenhum deles, mas não troco de rádio quando eles começam a tocar. Na verdade se for uma pedrada das clássicas como One ou Unforgiven a probabilidade maior é que eu até aumente o volume e sacuda a cabeça. Até ouvi o último disco deles, o Hardwired to Self Destruct, e gostei bastante. Respeito os caras, sem dúvida. Mas nunca fui em nenhum show e não iria, exceto talvez se eu ganhasse um ingresso.

Beatles. Será que eu conseguiria ver 5 vezes? Foto: Divulgação

Ainda assim, tento fazer um paralelo com bandas que eu gosto para ver se eu faria o mesmo que os fãs fazem pelo Metallica. Será que eu iria 5 vezes e investiria uma soma de mais ou menos R$2.500 no show de bandas como, por exemplo, Oasis, Red Hot Chili Peppers e ACDC?

Destas, Oasis é a única atualmente impossível de conferir. Tenho vários discos deles e um carinho enorme pela banda graças à sua importância na minha adolescência e dos meus melhores amigos. Já fui num show deles com estes mesmos amigos e me diverti bastante. Se eu iria outra vez caso eles voltassem? Depende muito do preço do ingresso, mas do jeito que as coisas andam a resposta mais óbvia é: não. 5 vezes então? Com as devidas desculpas aos irmãos Gallagher, mas... Uma vez foi suficiente.

Red Hot Chili Peppers. Vieram ao Brasil 6 vezes na vida. Não tanto quanto Metallica e os medalhões do Metal. Infelizmente nunca fui em nenhuma vez. Sinto falta e tenho um compromisso comigo mesmo de vê-los pelo menos uma vez, não importa o preço cretino do ingresso. Trata-se de uma banda da vida e que vem muito pouco para cá, então eu faria, sim, um esforço. 5 vezes? Nem que Flea e Kieds lutassem boxe com cacos de vidro colados na luva.

ACDC. Todos os dias me dou 3 chibatadas nas costas por ter perdido o show deles em 2008, na turnê Black Ice. Estava caro e eu estava duro, mas devia ter ido mesmo assim. Hoje a banda perdeu os mestres Malcolm Young, Brian Johnson e Cliff Williams. Para piorar manchou seu hall de heróis com a presença de Axl Rose nos vocais! Pensando bem, acho que não iria no show deles nem pela primeira vez...

ACDC com Axl Rose. Sério, quem teve essa ideia? Foto: Divulgação

Agora vamos apelar para Beatles. A maior banda da história. Será que nem eles eu veria 5 vezes? Sendo bastante honesto, se fosse para ver o que eu vi em todos os seus shows já registrados em vídeo, com certeza não. Eram todos shows de 30 minutos cheios de gritaria histérica e uma repetição incansável de singles grudentos como She Loves You, Love Me Do e I Want to Hold Your Hand. O melhor dos caras nunca foi tocado num show. Nos dias atuais já vi um show do Paul McCartney. Perdi outros, mas não senti falta. Uma vez foi suficiente até para preservar a magia de ver uma lenda como ele.

E o Metallica lá, enchendo estádios ano após ano. Com fãs vendo seus shows repetidamente. Sério. Qual a graça?

Enquanto matutava sobre o motivo que levaria alguém a ir tantas vezes no show de uma mesma banda, não importa o preço cretino dos ingressos, me perguntava qual o segredo do Metallica. Será que eles não tinham cometido nenhum deslize na carreira? Nunca lançaram um disco ruim? Nunca deram um tempo? Nunca faltou uma verba de marketing?

Talvez seja essa a grandiosidade da banda, afinal. Equilibrar as insondáveis variáveis do mundo da música e da fama. Ao contrário dos Oasis, Red Hot, ACDC e Beatles, os caras não perderam (tantos) integrantes, não pararam de tocar e continuaram com uma qualidade musical minimamente aceitável. Ou talvez os fãs desse tipo de banda sejam menos questionadores. Ou talvez eles não escutem bandas novas e, sendo o Metallica o único dono de seus corações, é também a única razão para eles irem a um show. Ou talvez o marketing do Metallica é que seja muito forte, afinal os caras sempre estiveram associados à lucro, seja em eventos, seja em produtos.



Ou, com certeza mais certo do que todas estas hipóteses, eu é que sou o problema por não gostar tanto do Metallica quanto seus fãs.

Enfim.

Seja qual for o segredo do Metallica, certamente não irá parar por aqui. Com o Lollapalooza - outrora um estandarte da música nova e independente - agora atingindo recorde de público graças à eles, tenho certeza que nos próximos 10 anos teremos pelo menos uns 8 shows dos caras, alternando Rock In Rio e Lollapalooza com outras apresentações solo. E os fãs sempre lá. De novo e de novo.

É a vida.

Um mestre uma vez me disse e eu devia ter entendido... Por mais que tentemos entender, algumas questões permanecerão, invariavelmente, sem explicação ;)

Magic! mostra que Rock vai bem com Reggae

25/03/2017

Bob Marley, se estivesse vivo e num momento de sobriedade (ou mesmo chapado), certamente exibiria um sorriso ao conhecer o som da Magic!

Magic! Foto: Divulgação

A mistura entre Rock e Reggae não é novidade.

Canções do Bob Marley foram regravadas por dezenas de bandas de Rock, ao exemplo de I Shot de Sheriff, que ficou ainda melhor nas mãos de Eric Clapton. Até os Beatles, lá nos anos 60, já flertavam com o ritmo, experiências que resultaram em canções como She's a Woman e Ob-la-di Ob-la-da.

Mas ainda assim não deixa de ser admirável a capacidade de misturar os ritmos de forma bem-feita. Dar uma cara moderna para essa fusão de gêneros torna o ato ainda mais especial. É o que a banda canadense Magic! tem feito.



Em 2014, há apenas 3 anos, o primeiro single dos caras, Rude, já mostrava que a banda dominava não apenas a mistura, mas a mágica - como sugere o nome da banda - de criar canções grudentas. É fácil ouvir uma única vez e já sair cantando "How can you be so rude?" num ritmo gostoso e divertido. Essa canção ficou em primeiro lugar nas paradas de vários países, incluindo nos Países Donos da Verdade (entenda-se EUA e UK), o que não deixa de ser uma pequena honra para o renegado Canadá. Lembro de ter ouvido bastante essa música enquanto vivi na Austrália entre 2013 e 2014. Na época achei que era só mais uma música boa de alguma One-Hit Wonder. Eu, como incontáveis vezes na vida, estava errado. Logo Magic! lançou também Let Your Hair Down, numa levada mais suave e romântica, mas ainda assim revigorante.

Graças ao Spotify tive a oportunidade de conferir o disco inteiro dos caras e, tenho que admitir, que não gostei tanto da obra completa. Salvando-se 3 ou 4 canções, o disco não vale uma aquisição, com várias faixas em que o grupo se perde num pop chato e sem vida. Seria melhor ter se aprofundado cada vez mais no Reggae, pois é daí onde saem as melhores canções da banda. É o caso de uma terceira pérola - esta talvez a mais valiosa de todas. No Way No. Dá uma escutada:



Essa é uma obra das boas. Daquelas músicas raras de achar. Que conseguem encontrar o equilíbrio dificílimo entre arte e comércio. Nada contra Rude, muito pelo contrário. Adoro aquela primeira canção também, mas No Way No consegue ter uma pegada mais autoral. Tem um ritmo mais envolvente, viajante e um solinho delirante, atributos que a impedem de ser excessivamente grudenta. É a obra-prima do disco e se eu acabei de escrever que não vale a pena comprá-lo, eu provavelmente estou, mais uma vez, enganado, graças à No Way No. Essa música vale ouro.

Além de mandar bem na produção dos vídeos promocionais, sempre com uma pegada bem humorada, o Magic! não parou nunca de trabalhar nas músicas.

Em 2016 veio ao mundo o segundo disco, "Primary Colours". Nele, já posso destacar mais uma canção de valor inestimável. Chama-se Lay You Down Easy:



Mais uma vez aqui fica evidente a maestria com que Rock e Reggae brincam numa fusão perfeitamente construída. Ritmo empolgante. Instrumentação impecável. Destaco também a voz do cantor Nasri Atweh que tem uma afinação poderosa e carismática, atributos que só contribuem para a imagem que a banda prega de tranquilidade e bom humor. É o Reggae em sua essência. Bob Marley ficaria certamente orgulhoso.

Magic! é uma banda na qual vale a pena prestar atenção. Está em dúvida? No Way No! Ouça, deixe os problemas de lado e abrace a causa da paz e amor por um mundo em que contas, reuniões e aplicativos poderiam muito bem dar lugar para a uma tarde com amigos, risadas e descontração ;)

Músicas de Andarilho - 8 Anos de Andanças

17/03/2017

No dia 10/03/2017 o blog Músicas de Andarilho completou nada menos que 8 anos de vida.

É um período considerável, já que a expectativa de vida dos blogs costuma ser menor que isso.

O blog mudou muito ao longo desse tempo. Nasceu de um período complicado, como uma forma de sublimação. Eu falava de músicas que me faziam viajar e isso de alguma forma me ajudava a tocar melhor a vida. Começou cheio de regras e manias. Era tudo em preto e branco, num parágrafo só. Eu achava que o estilo (ou falta de) ia atrair leitores.



Aos poucos fui abrindo a mente e me libertando das regras auto impostas. Comecei a falar também dos muitos shows que eu ia. Percebendo que a música estava muito mais inserida na minha vida do que eu imaginava comecei a falar também de filmes, lançamentos, livros e outras coisas que envolvessem uma trilha sonora boa e viajante.

Nos primeiros anos do blog eu postava com uma regularidade assustadora. Eram cerca de 3 textos por semana. Quando os textos começaram a ficar mais elaborados, porém, a média caiu para 1 artigo por semana. Atualmente o blog vive uma frase ruim, admito, com 1 texto por mês. Em minha defesa, digo que tenho priorizado textos mais elaborados e relevantes do que análises isoladas de uma única canção.

Mas o mais curioso de tudo é que, tanto no começo, quando eu escrevia mais, quanto agora, com textos mais espaçados, o blog mantém um certo número de leitores. Nunca foram muitos, mais uma vez admito, mas é interessante notar que o número de visitantes se mantém constante. Parece que sempre há alguém conhecendo o blog e navegando por suas páginas. Fico feliz com isso. E feliz também quando percebo que textos antigos aparecem entre os mais lidos. Isso me mostra mais uma vez que o blog não tem idade. O texto é, como sua matéria-prima, a música, atemporal. Você pode ler qualquer texto do blog à qualquer momento. Nesses 8 anos o Músicas de Andarilho nunca viveu do hype. Nunca dependeu do assunto da moda. Aliás nunca dependeu de nada, além do meu tempo. Não ganho dinheiro com o blog, admito uma terceira vez, e nunca esperei ganhar. Essas propagandas que você vê acima são do meu próprio livro.

Livro Heróis e Anômicos, um dos prêmios que tive que com blog.

O volume de textos ajuda o blog a manter-se vivo, mesmo com poucos textos novos. Nesses 8 anos foram 665 textos e, orgulho-me em dizer que, com exceção de alguns releases enviados por bandas, todos são 100% originais, saídos diretamente dessa cabeça Andarilha que, por algum motivo ainda persiste na escrita.

O blog já adquiriu uma certa autonomia. Isso é o que me deixa mais satisfeito depois de 8 anos. E já que tudo isso se deu pro conta de seus textos, vou deixar aqui alguns links para textos antigos e que têm recebido muitas visualizações desde que foram para o ar:

As 10 Músicas Mais Viajantes da História
Texto que fiz com a intenção de reunir as 10 canções que, desde a primeira escutada, me fazem viajar de maneira absurda. 2º texto mais lido do blog.
Publicado originalmente em setembro de 2014.

Tears for Fears - Woman in Chains
Engraçado notar que, quando estou escrevendo sobre alguma canção específica, fico às vezes preocupado se vou atingir vários leitores. Textos como esse do Tears for Fears me mostram que, fãs sempre encontrarão caminhos até o conteúdo. Um dos textos que mais têm feito sucesso nos últimos meses.
Publicado originalmente em junho de 2013.

O Rock Está Morrendo e o Roqueiro está Assistindo
Artigo que escrevi tentando fazer um diagnóstico sobre o cenário do Rock atual. Todos sabem que o Rock já teve seus anos de glória. Porém, descobri que, pasmem, a culpa é toda do próprio Roqueiro.
Publicado em agosto de 2015.

O Rappa - Cristo e Oxalá
Fico feliz em perceber que não sou o único a acreditar que Deus é uma mesma coisa para todos, não importa o caminho ou a relação de cada pessoa com Ele. Nessa canção, O Rappa mistura Umbanda com Cristianismo para mostrar que, independente de como o chamemos, Deus está ali, nos protegendo e guiando.
Publicado originalmente em novembro de 2011.

E Aí Meu Irmão, Cadê Você?
Até eu me surpreendi agora. Esse texto é uma resenha sobre um excelente filme dos irmãos Coen, no qual a música é o personagem principal. Por se tratar de um filme cult e pouquíssimo conhecido, não esperava que seria tão procurado. Que bom.
Veio à luz em julho de 2012.

Tim Maia
Resenha do maravilhoso filme do Tim Maia. E, sabendo-se que se trata de Tim Maia, tinha como ficar ruim?
Texto publicado em novembro de 2014.

Jorge Ben - O Homem da Gravata Florida
Jorge Ben é mestre. Disso eu sabia. O que eu não sabia que é o meu leitor também acha isso. Quase todos os textos sobre suas músicas estão entre os mais lidos. Tive que escolher apenas um para ele não dominar o ranking. Peguei O Homem da Gravata Florida simplesmente por que essa é uma música inspiradora. Sempre que a escuto tenho vontade de viver o momento ao máximo para tentar, como o mestre, admirar cada pedaço, cada segundo de vida.
Publicado em Março de 2013.

Johnny Cash - Hurt
O grande campeão do blog. Foi com ele que tudo começou. Um dos meus primeiros textos, publicado numa época em que o blog não tinha Facebook, nem qualquer outra forma de alavancar as postagens. Como o Homem de Preto o texto foi silencioso e certeiro. Disse o que tinha para dizer à quem quisesse ouvir. E até hoje, 8 anos depois de sua postagem, é indiscutivelmente o texto mais acessado e lido, com mais de 3.000 visualizações únicas. Trata-se de Johnny Cash. Não, não é surpreendente.
Campeão desde abril de 2009.


Mestre.

Obrigado à todos os leitores que, há 8 anos, seja de forma assídua ou de forma totalmente aleatória, acompanham o blog de alguma forma.

Tudo de Rock para vocês ;)

Felipe Andarilho

[CONHEÇA] Posada lança "Isabel", seu primeiro disco solo

01/03/2017

Carlos Alberto Posada é filho de mãe brasileira e pai argentino, nascido na Suécia, crescido em Pernambuco e radicado no Rio de Janeiro desde 2003. Iniciou na música por volta de seus 15 anos. Em 2013 lançou seu primeiro álbum “Posada”, que foi disponibilizado​ ​para​ ​download gratuito. “ISABEL”, seu segundo álbum de estúdio, é um convite íntimo para adentrar o universo cotidiano do autor sem nenhum filtro: da maneira mais sincera possível.

Capa do Disco "Isabel" (Foto: Daniel Terra / Divulgação)

O disco traz a voz única do ​"​cantautor​"​ e os violões de Posada e Rodrigo Garcia sem interferências, sem efeitos e sem edição: um ‘fotograma’ bruto do momento em que as canções foram registradas.

Contando​, ​ainda​,​ com as participações especiais dos artistas Chico Chico (​"​Efeitos Especiais​"​) e Duda Brack (​"​Remoendo​"​) e dos músicos Ismael Alves (​s​anfona em ​"​Sertão Alegre​"​) e Jander Ribeiro (​v​iola caipira em ​"​Remoendo​"​, ​"​Castanho​"​, ​"​Cartão de Visita​"​ e ​"​Sertão Alegre​"​), o disco foi mixado por Rodrigo no estúdio AVERA (RJ),​ em novembro de 2016, e masterizado por Ricardo​ ​Garcia no​ ​estúdio Magic Master (RJ), em dezembro de 2016.

Ouça agora pelo Spotfy clicando no link abaixo:

https://play.spotify.com/album/63DiCkKmYSZBaaOpG2IYES

Animes e suas músicas inesquecíveis

16/02/2017

Há algumas vidas atrás eu fui um fã incondicional de desenhos japoneses, também conhecidos como Animes.

Eu conhecia todos os desenhos que passavam na TV, sabia os nomes dos personagens, suas histórias e super-poderes. Eu os desenhava, pois naquela vida lá atrás eu sabia desenhar bem à mão. Eu tinha também um caderno onde anotava tudo sobre tais desenhos. Cada Anime novo trazia uma série de anotações sobre o criador daquela pequena obra de arte, o horário que passava e trechos importantes da história.


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