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29/11/16

Banda se apresentou em São Paulo em 26/11/2016. Show foi em comemoração aos 20 anos do disco Samba Poconé

Não é novidade para ninguém que o Skank é uma das grandes bandas brasileiras.

Talvez a maior delas.

Skank em São Paulo, na Audio Club. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

O grupo mineiro que iniciou a carreira em 1991 atingiu números que poucas bandas no mundo conseguiram. São 9 discos de estúdio no período de 25 anos, o que dá uma média de 1 álbum com inéditas a cada pouco menos que 3 anos. Isso é muito mais do que 90% das bandas conseguem fazer. Torna a coisa ainda mais especial quando analisa-se a qualidade dos álbuns. Não são só discos. São obras de arte. Cada um deles tem um bom punhado de hits combinado com canções mais autorais, alguns lados B excepcionais e muita viagem boa.

Praticamente todos os discos do Skank atingiram vendas expressivas, ultrapassando marcas como 200.000 cópias. No caso do Samba Poconé, o disco que completa 20 anos de lançamento em 2016, a vendas foram superiores a 1,5 milhões de discos! É disco demais. Em tempos de Spotfy e música no Youtube, é fácil dizer que provavelmente nenhuma banda a partir de hoje conseguirá fazer algo assim. Pelo menos não em vendas físicas.

Embora números não sejam nada quando se trata de arte, fiz questão de colocar os dados acima apenas para temos uma ideia da magnitude do que é o Skank. Se existem gigantes na Terra, o grupo composto por Samuel Rosa, Haroldo Ferreti, Lelo Zanetti e Henrique Portual é, sem súvida, um deles.

Caso ainda hajam dúvidas, analise rapidamente parte do setlist tocado pelo grupo no show de São Paulo:

Indignação, Tanto, Jackie Tequila, Te Ver, Chega Disso, Resposta, Saidera, Três Lados, Canção Noturna, Vou Deixar, Uma Canção É Pra Isso, Ainda Gosto Dela, Sutilmente, Dois Rios, Partida de Futebol, Tão Seu, Garota Nacional.

Samba Poconé, o maior sucesso comercial do Skank e que completa 20 anos em 2016. Foto: Reprodução

O fato é: se você é brasileiro e tem mais de 25 anos, aposto minhas cuecas que conhece, senão todas, pelo menos umas 10 dessas músicas acima.

Isso se você não conhece todas.

Isso se não sabe todas as letras de cor.

Em um mundo em que bandas boas tem que abrir na raça um rasgo na atmosfera carregada de porcaria para fazer o público conhecer 1 única de suas canções, é de se tirar o chapéu que um grupo tenha tantas obras conhecidas.

E o melhor: admiradas.

Eu poderia encontrar ainda diversos outros argumentos para mostrar a grandiosidade do Skank. Poderia citar que o quarteto sempre esteve junto, desde os primórdios, coisa que só vi acontecer em pouquíssimas bandas geniais como Beatles, Led Zeppelin e U2. Poderia dizer que, além dos álbuns de originais, a banda se empenha em lançar material complementar como o excelente disco Ao Vivo em Ouro Preto e o álbum feito para fãs Skank91.

Poderia dizer que o primeiro álbum dos caras, o Skank, lá de 1992, é uma obra-prima.

Poderia passar o dia tecendo comentários do tipo. Mas isso seria chover no molhado. Você pode não gostar do Skank, mas certamente (caso não seja um hater à toa na internet e tenha um mínimo de consciência) reconhece a importância da banda para a música brasileira.

Para registrar a presença no show

Então não é de se admirar que um show dos caras seja algo memorável, bonito e especial.

Começando pelo carisma do grupo, em especial do frontman, Samuel Rosa. Eloquente e simpático, o vocalista e guitarrista trata o público como um velho amigo. São, afinal, anos de parceria. Tranquilo e infalível, ele discorre sobre o álbum que celebra 20 anos. Fala com calma sobre o passado musical do grupo e do Brasil. Apresenta canções e interage com o público.

Em certo ponto um grupo de fãs (com muito bom gosto) pediu Baixada News, simplesmente uma das melhores canções da banda, escondida no seu primeiro disco. Em tom de desculpa, Samuel Rosa agradeceu pelo pedido, mas talvez não esperasse por ele. Caso contrário teria atendido. Prova disso veio com Indignação, também do primeiro disco, mas já um pouco menos B-Side. Rosa ensaiou rapidamente alguns acordes, cantou e o público acompanhou. Logo a banda toda voltou para encorpar a canção. Ao final, Rosa ainda agradeceu: "Fazia uns 20 anos que a gente não tocava essa, boa ideia".

Sempre fui contra o show enlatado. Dentre todos os show que fui os que menos apreciei foram gigantes produções como U2 360 e Roger Waters - The Wall. Não que tenham sido shows ruins, muito longe disso. Mas o excesso performático tornou o que deveria ser um show de Rock espontâneo e explosivo num teatro, ensaiado e seguido à risca. Digo "teatro" no sentido ruim da palavra, pois num bom espetáculo de teatro há muito mais improvisação e entrega de sentimento do que nesse tipo de show. Pegar um DVD do U2 e ir num show é a mesma coisa. Não há nada que nos faça crer que aquele é um evento único e não mais um no pacote de turnês.

Skank, assim como Beatles e U2, um quarteto imutável. Foto: Divulgação

Música, em especial o Rock, é feeling. É entrega ao momento. É o sentimento de estar vivo.

É puxar uma canção inesperada. É fazer uma Jam. É tocar Isn't It a Pity de George Harrison e I Want You de Bob Dylan, mesmo que ninguém conheça, mas pela beleza do momento.

Um show de Rock tem espaço até para erros, desde que sejam erros sinceros. Mas erros não aconteceram no show do Skank.

Ouvir o grupo atendendo à um pedido de fã e tocando uma obra antiga que não estava no setlist foi uma das coisas mais bonitas que vi em show na vida.

Isso só torna a coisa toda mais especial.

Afinal sou fã dos caras desde garoto. Aprendi a ouvir Skank nas praias, cantando Jackie Tequila e Acima do Sol. Essas e muitas outras obras foram trilha sonora da minha vida e das aventuras que só um garoto conhece. Pulei muros de vizinhos para pegar a bola que tinha caído lá ao som de Três Lados. Caminhei por horas sob o sol forte na praia cantando Pacato Cidadão e voltei todo vermelho para casa. Me apaixonei pelos amores de verão ao som de Ali. Joguei muito vídeo-game com Tão Seu tocando ao fundo. Dediquei Resposta à garotas que não me queriam e Siderado à uma que queria. Coloquei o Skank no meu livro, Heróis e Anônimos, afinal, ali estavam heróis que me ajudaram em diversos momentos da vida.

Por tudo isso posso dizer que foi sim uma noite especial e um dos melhores shows que tive a honra de assistir.

Por tudo isso não hesito nem um segundo antes de dizer: Skank é, sim, uma das grandes bandas brasileiras.

Talvez a maior delas ;)

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Ponto Negativo: Audio Club. O espaço é bonito, com cara de balada de rico, mas cobrar R$15 numa lata de Budweiser e deixar 90% da área da pista para ingressos Premium é sacanagem...

Carolina Zingler e Nuvem, um presente para andarilhos da cidade

12/11/16

Um fim de tarde frio, tão estranho para a primavera, mas bastante comum para o clima alucinado de São Paulo.

A Avenida Paulista, inevitavelmente cheia como todo santo dia desde sabe-se lá quando, servia de cenário para uma caminhada após o trabalho. Eu com minha esposa íamos andando e conversando. Sem pressa, afinal era sexta-feira. Estávamos só começando a sentir o gosto da liberdade do fim de semana.

No meio da Avenida Paulista, a Esquina do Jazz. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

Aqui e ali, músicos de rua faziam suas apresentações para transeuntes dispostos a escapar um pouco do automatismo rotineiro e escutá-los.

Haviam atrações para todos os gostos: rock, blues, pop. Bastava escolher a que mais te agradava e ficar ali, curtindo o anoitecer. Ou você podia simplesmente continuar andando, ouvindo a mistura de canções que serviam de trilha sonora momentânea.

Foi assim que, caminhando um pouco, encontramos a Esquina do Jazz.

Lá estava ela, Carolina Zingler e sua banda Nuvem.

Eu já tinha escutado falar nela.

Da primeira vez um amigo contou como havia se surpreendido com a qualidade musical do grupo. Comprou um CD e me mostrou fotos da banda e do álbum. "Olha a qualidade do encarte", ele frisava.

Na segunda vez, outro amigo me disse que havia visto a cantora no programa do Jô Soares. Em seguida me enviou o link para ouvir seu disco "Birds Flying High". Ali pude perceber o alto nível musical da artista. Da seleção de canções (covers que iam de Nina Simome à Charles Chaplin) até a musicalidade em si com uma instrumentação impecável para acompanhar a voz suave e afinadíssima da cantora.

Carolina Zingler. Foto: Divulgação

Foi por isso que parei ali.

Agradecido com mais um presente da vida, quis conferir ao vivo a beleza daquele momento.

Eu estava em São Paulo, no meio da rua, com a noite chegando preguiçosamente. E estava ouvindo um jazz.

Um jazz do bom.

Bem feito.

Bem tocado e majestosamente cantado. Acompanhando Carolina, seu violão e sua voz maravilhosa, uma garota fazia uma excelente percussão sentada numa caixa e um rapaz tocava baixo, ligeiro e potente. Três pessoas. Era suficiente. Os três, num entrosamento raro e bonito, preenchiam o ar gelado com o charme e a suavidade que só o jazz tem.

Logo um pequeno público se formou em volta da "Esquina". Entre cada canção, a vocalista agradecia a presença e explicava sobre o próximo número. E lá vinha ele: mais uma obra de arte. Mais um momento especial e único.

Gigantes na noite. Um trio fazendo música boa. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

Ficamos ali não se quanto tempo. Talvez meia hora ou meia dúzia de canções. O suficiente para enchermos nossas almas de uma tranquilidade e alegria raras. A vida era boa, afinal. Havia música. Música boa. E enquanto houvessem músicos como Carolina Zingler e Nuvem nas ruas, haveria esperança.

Se você, andarilho da cidade, tiver a sorte de encontrar a Esquina do Jazz em alguma de suas caminhadas, deixo aqui um conselho amigo: pare e escute um pouco. Mesmo que seja uma só canção. Será suficiente para sair dali mais vivo, mais satisfeito e mais pronto para curtir a vida em seus detalhes ;)

Confira o disco do grupo na íntegra:

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