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Documentário sobre a vida de Serguei emociona por sua sinceridade

22/09/16

Serguei, o Anjo Maldito do Rock Brasileiro foi lançado em 2015

Já disse algumas vezes - a última delas nesse texto sobre o Jackie Chan - que quando as coisas são feitas com o coração, o resultado é sempre positivo.

Mais uma prova disso é o filme Serguei, o Anjo Maldito do Rock Brasileiro.

Capa do Documentário. Foto: Divulgação

Desenvolvido 100% de maneira independente e com recursos do próprio diretor, o cartunista Márcio Baraldi, o filme se destaca justamente por sua sinceridade. Ao invés de tentar à todo custo maquiar a simplicidade de sua produção com o objetivo mercadológico de conquistar mais expectadores, o filme opta por abraçar a sua independência. Seja nas tomadas, competentes, mas sem grande requinte, seja nos próprios créditos finais, o objetivo do documentário está sempre claro: contar a história de Serguei, um dos nomes mais emblemáticos do Rock nacional, sem qualquer pretensão megalomaníaca.

E é justamente por isso que o filme emociona.

Afinal, não haveria forma mais correta de retratar a vida de Serguei do que essa.

Sérgio Augusto Bustamante, o Serguei, é um personagem icônico da nossa música. Hippie, fora da lei, outsider e todo o adjetivo que o coloque fora dos padrões são poucos para defini-lo. Há uma frase sobre Elvis Presley que diz: "Antes de qualquer um fazer qualquer coisa, Elvis fez tudo". Eu diria que essa sentença serve ainda melhor em Serguei. Quando o Rock engatinhava, o cara já estava lá, no auge da vida, pronto pra absorver a coisa à ponto de torná-la um estilo de vida. Quando o movimento Hippie começava, Serguei já era paz e amor. Se hoje o público LGBT consegue gozar de algumas poucas conquistas, há 40 anos Serguei era abertamente bissexual.

Tudo na cara e na coragem. Tudo na ânsia de viver a vida com o que ela tinha de melhor para oferecer.

Sem parar, como em Hell's Angels, uma de suas canções.



O que mais se admira na biografia do Divino do Rock foi sua capacidade de ser o que ele queria ser. Livre de regras, livre de amarras. Quis ser cantor de Rock e foi. Quis ser Hippie e foi. Quis ir viver em Saquarema e conquistou da Prefeitura nada menos que o Templo do Rock, recinto que recebe turistas do Brasil todo.

Não haveria melhor maneira de contar a história de uma figura dessas do que com um documentário independente.

O fato de o responsável pela obra ter sido o competente Márcio Baraldi só tornou tudo mais excepcional.

Amigo e fã de Serguei, Baraldi compôs seu registro audiovisual em uma série de entrevistas realizadas no Templo do Rock. Somou à isso dezenas de depoimentos de grandes nomes do Rock brasileiro e algumas apresentações históricas e compilou as peças com uma trilha sonora selecionada e uma edição bem feita e, pronto, está aí o registro. Simples. Bem feito. Emocionante. Feito com o coração. Um presente para o mestre e para qualquer um que aprecie música.

Confesso também que fiquei feliz em constatar que eu não era o único que conhecia pouco da carreira musical do Serguei. Mais conhecido por suas histórias do que pela sua música, Serguei tornou-se uma lenda por ter, por exemplo, namorado a Janis Joplin e batido no Jim Morrison. E é com depoimentos do próprio artista e de bandas do calibre de Made in Brazil, Salário Mínimo, Barão Vermelho, Kid Abelha, Herva Doce e Pandemonium - dentre muitos outros - que a lenda é investigada em toda sua essência.

O Diretor Márcio Baraldi e Serguei. Foto: Divulgação

A conclusão não poderia ser outra: Serguei é um ícone e um dos grandes nomes do Rock Nacional. Vê-lo no auge da terceira idade dividindo palcos com grandes bandas como Made in Brazil e Salário Mínimo não deixa mentir.

Até por que nessa obra não há mentira. Tudo é feito com simplicidade e reverência.

O resultado não poderia ser outro que não a emoção.

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Glenn Hughes no Carioca Club. Foto: Felipe Andarilho / Divulgação

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Grandphone Vancouver é um projeto do músico Fernando Ventura. Conheci o vídeo pelo qual o artista ganhou diversos prêmios numa aula de um curso de cinema. A lição que o professor queria passar era a de que o mais importante de tudo num projeto audiovisual é a ideia. Equipamentos são possível de serem comprados ou alugados e, com algumas aulas, é relativamente fácil aprender a operá-los. Mas de nada adianta a melhor câmera ou a lente mais incrível se você não tiver material bom para captar.

Para exemplificar, ele nos mostrou Miss Me, canção do Grandphone.


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