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500+ da Kiss 2018: um museu de novidades

05/01/2018

Em toda a virada de ano a Kiss FM realiza a sua já tradicional votação entre os ouvintes para a programação das 500 +, ou seja as 500 músicas mais pedidas do público formam um ranking que é tocado na íntegra durante alguns dias entre o final de dezembro e início de janeiro.



Trata-se de um evento já conhecido e esperado pelo público. Todo começo de ano as pessoas querem saber quem é que, afinal, ficou em primeiro na grande votação - uma das listas mais autênticas e honestas do mundo da mídia, diga-se passagem. A Rolling Stone vive fazendo listas, quase sempre elaboradas por jornalistas especializados e críticos. Já aqui, quem define as melhores é a voz de Deus, ou seja, o próprio público que ouve a rádio.

Já há alguns anos, porém, a voz de Deus tornou-se um tanto quanto previsível.

Tirando algumas canções mais lado B que vez ou outra entrecortam grandes hits de lendas do Rock, a lista é quase sempre igual. Punhados de Led Zeppelin, Queen, Pink Floyd e Black Sabbath com suas músicas que já fazem parte do nosso cotidiano (há décadas).

Invariavelmente Bohemian Rapsody e Stairway to Heaven dividem as primeiras colocações. Maior clichê, impossível.

Vivo, Cazuza poderia descrever a lista como um grande museu de novidades. Ousado e inovador para a sua época, o músico representa o oposto do que podemos considerar o cenário do Rock atual: acomodado, saudosista, conservador.

Se a lista de 2018 da Kiss serve para alguma coisa é justamente para mostrar o quanto precisamos mudar enquanto ouvintes. Por muito tempo o Rock foi uma mina de preciosidades. Era preciso escavar, mas você certamente encontrava grandes pepitas e as compartilhava com seus amigos.

Curioso notar que, com o poder das mídias sociais sendo justamente o de facilitar o compartilhamento de informação, o Roqueiro parou de escavar. Contente com as bandas que aprendeu a escutar com as gerações anteriores, o ouvinte atual ignora sumariamente tudo que é novo, diferente ou fora do padrão.

Se Rock antigamente era sinônimo de rebeldia e ousadia, hoje é um paralelo para tradicionalismo e mesmice.

E não é por culpa da mídia.

Há alguns anos poderíamos até reclamar que a Kiss FM só tocava músicas de pelo menos 30 anos atrás. Hoje esse cenário mudou. A Kiss possui diversos programas como New Hits, Gasômetro e Filhos da Pátria que priorizam justamente a sonoridade nova. Eu mesmo já conheci várias bandas e músicas nunca antes escutadas por meio desses programas. Analisando a lista das 500+, não duvido, porém, que sejam os momentos de menor audiência da emissora.

Que 2018 sirva para abrir um pouco a mente dos ouvintes Roqueiros para um Rock moderno, diferente e tão bom quanto sempre foi.

Feliz Ano Novo à todos os leitores!

Curto e com altos e baixos, Orishas marca retorno em São Paulo

04/12/2017

Show do Orishas em 01/12/2017, em São Paulo

Um dos grupos que mais admiro na vida é o Orishas, trio cubano de música latina.

Tanto que os escolhi para ilustrar o texto que fechou o ano de 2013, enquanto morei na Austrália.

Tanto que os escolhi para o texto de número 501 aqui do blog.

Orishas veio ao Brasil para show único na última sexta-feira. Foto: Divulgação

Quase ninguém conhece.

Quando me perguntam que tipo de som eles fazem, é sempre difícil responder. Começa no Hip Hop, sim. Mas é muito mais. Cada música deles traz uma carga de influências e misturas de ritmos latinos que fica não apenas difícil, mas injusto, classifica-los somente como Hip Hop.

É o tipo de banda do seleto grupo que contém O Rappa, Bomba Estéreo, Living Colour e Red Hot Chili Peppers. Bandas que não podem ser classificadas. Bandas cujo estilo são eles próprios.

Com a maestria desses poucos que conseguem fundir estilos e referências para formar um som único, os Orishas passeiam pelo Rap rápido e emendado, pela ritmo contagiante da Salsa cubana, pela viagem de um Lounge e pela harmonia de um belo Pop.

Para entender é só colocar duas canções lado a lado:

Confira Reina de La Calle:



Agora confira Elegante:



Essas canções são completamente diferentes. Não fosse pela voz marcante de Roldán González Rivero, poderiam ser facilmente atribuídas a duas bandas diferentes. O mais legal: as duas canções são do mesmo disco, no caso "El Kilo", de 2005.

Orishas começou como um quarteto em 1999 com seu álbum mais bem sucedido, a estréia "A Lo Cubano", cuja canção título talvez seja a mais famosa da banda.

A partir daí o, então trio, lançou mais 3 discos: o excelente "Emigrante", a obra-prima "El Kilo" (melhor álbum deles na minha opinião) e o também ótimo: "Cosita Buena", este último em 2008.

No ano seguinte o grupo encerrou as atividades, deixando fãs do mundo todo angustiados com o desperdício de tempo de uma das bandas latinas mais representativas e interessantes do mundo. São poucos que cantam nossas mazelas para o mundo e o Orishas era uma dessas vozes. E cantava como ninguém, colocando num suingue empolgante e energético criticas ferrenhas à desigualdade social que insiste em imperar aqui desse lado do globo.

Grupo fala em suas músicas sobre desigualdade social e problemas dos países latinos. Foto: Divulgação

Eis que, ano passado, a banda anunciou sua volta.

Além de excursionar pelo mundo, o grupo lançaria um novo disco.

A turnê incluiria o Brasil, o que é ótimo, pois costumamos ser afastados dos nossos vizinhos latinos e muitas bandas boas dos nossos hermanos evitam vir aqui por falta de interesse nosso na música deles. Se você ligar o rádio por 24 horas em qualquer estação vai poder contar nos dedos de uma mão as vezes em que toca uma música em espanhol. Não se surpreenda se não tocar nenhuma vez ou se a única vez que tocar seja um hit do verão como Despacito ou Kuduro.

Infelizmente nossa mentalidade norte-americanizada nos priva de muita coisa boa que temos aqui tão perto. Orishas é um desses casos. São poucos que conhecem e, pela quantidade de VIPs na fila do Tropical Butantã é fácil supor que muitos ingressos não foram vendidos e passaram a ser entregues gratuitamente apenas para que a casa não ficasse vazia.

Isso se refletiu também na apresentação do grupo onde tanto a banda como o público errou. A banda por jogar de frma segura, priorizando seu primeiro disco, o mais conhecido, "A Lo Cubano" e o público por justamente só conhecer esse trabalho. Pode-se dizer que, salvo algumas exceções o show dividiu-se em 70% canções do primeiro álbum e 30% de músicas novas que a banda provavelmente irá inserir em seu próximo disco.

A Lo Cubano, primeiro disco dos Orishas e sua mais famosa obra. Foto: Divulgação

O resultado não poderia se outro: um show com altos e baixos muito evidentes.

Em um momento o público cantava alto e se empolgava com músicas consagradas como Atrevido, Mística, Represent e 537 Cuba.

Em outro parecia estar dormindo com as canções inéditas ou nas poucas que escaparam do primeiro álbum como Hay un Son.

A exceção que confirma a regra e não por acaso um dos melhores momentos do show, foi Nací Orishas, única canção do disco "El Kilo" tocada e que, graças ao seu ritmo altamente empolgante e viajante, levou o público ao delírio.

Isso para uma apresentação com pouco mais de 1 hora deixou um grande gosto amargo na boca. Um gosto que dizia que o show poderia ser muito melhor. Com tanto material bom no repertório era fácil montar um setlist de pelo menos 2 horas que, mesmo permeadas com músicas desconhecidas, não deixaria o pessoal ficar parado.

No fim das contas o saldo é sempre positivo. Era uma banda que eu nunca tinha visto ao vivo e, dada as circunstâncias, nunca se sabe quando haverá outra chance (a última no Brasil foi em 2009, 8 anos atrás). Portanto não me arrependo de ter ido.

Mas que Orishas poderia fazer muito mais, ah sim, poderia ;)

Erótica, uma Comédia Necessária

23/11/2017

Peça de Teatro brinca, homenageia, critica, canta e dança inspirada no Sexo



Outro dia eu estava revendo alguns textos aqui do blog sobre a banda Velhas Virgens. Era bom reler aquelas frases que eu mesmo escrevi e perceber como a banda sempre me surpreendeu pela sua desenvoltura ao falar de temas estranhamente ainda polêmicos, mesmo nessa época, teoricamente evoluída em que vivemos.

Dentre esses temas, talvez o mais difícil de lidar pelo homem seja o sexo. Atitude natural e biológica praticada por quase todos os seres do mundo e por quase todos os homens e mulheres que já pisaram na Terra, o sexo ainda é capaz de converter adultos em crianças de bochechas rosadas quando dá as caras na roda de conversa

Não à toa a família reunida em volta da TV se constrange quando o casal hollywoodiano resolve começar um bom e velho vai e vem bem no meio do filme. Até mesmo casais juntos há décadas evitam falar no tema ou só reservam tempo para tal depois de uma noite de bebedeira, quando o álcool retira as barreiras da vergonha.

Infelizmente alguns tabus ainda são tabus e, enquanto for assim, lidar com sexo será tão difícil quanto era para os adolescentes dos filmes American Pie.

Entretanto, graças à Deus - um Deus, esse, muito mais gente boa do que aquele que a igreja insiste em colocar no comando do universo - existem os artistas.

E artistas fazem o que querem.



Artistas gozam de uma condição que o cidadão comum jamais experimentará. Eles são livres. Não prestam contas. Reinam no submundo. Fazem a glória do que é banal.

Artistas são os verdadeiros heróis da sociedade. Não fosse por eles, tudo seria quadrado. Tudo seria cinza. Ninguém questionaria nada. Ninguém riria de uma piada à toa.

E recentemente vi alguns deles. Foi na peça Erótica, uma Comédia Gozada.

Não sou o cara mais frequentador do teatro, devo admitir. Mas é curioso que, sempre que dou uma chance para essa arte, nunca costumo me arrepender. Não foi diferente.

Conheci essa companhia nos espetáculos Beatles e A Música do Cinema que estavam em cartaz no Teatro Gazeta. Na época me surpreendi com a qualidade do musical e com a viagem causada pelas músicas apresentadas.

Fui então conferir a comédia inspirada em sexo que estava ocorrendo às segundas-feiras no Bar Brahma, mesmo dia e horário em que Caubi Peixoto tocava por anos a fio no local.



Dividida em esquetes de poucos minutos, a peça brinca com a questão do sexo no dia a dia e no imaginário popular. Dada à delicadeza do tema, não é de se surpreender que as mais curiosas histórias ganhem vida nas mãos competentes dos artistas que não só atuam, como cantam e dançam, às vezes nus, às vezes cobertos, mas sempre com a mais bonita maestria.

É nesse contexto que os personagens entram em situações curiosas, hilárias e emocionantes. Tudo feito com destreza, desnudando o tabu só para nos mostrar como somos tontos, como o mundo é legal e como, embora tenhamos esquecido há muito tempo, já nascemos pelados.

Em tempos em que artistas são acusados de pedofilia porque crianças acompanhadas dos pais visitam uma exposição onde há nudez, Erótica é uma peça mais que necessária.

É preciso questionar. É preciso falar no tabu. É preciso lidar com sexo e, mais necessário do que tudo, é preciso rir.

Serviço

A Temporada no Bar Brahma terminou, mas segundo a companhia, a partir de 18 de janeiro eles estarão no Espaço Parlapatões, com datas e horários ainda à definir. Se quiser rir e se divertir fique de olho na Página do Facebook da peça.

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